Deixou dinheiro na mesa? MRV (MRVE3) avança em se livrar do ‘problema Resia’, mas preço da venda de ativos incomoda
Em março deste ano, a MRV (MRVE3) fez um evento em São Paulo na qual passou um bom tempo endereçando seu principal problema, a Resia. Os executivos da companhia se mostraram comprometidos com a venda dos ativos da subsidiária, mas ressaltaram que não havia pressa, já que queriam evitar deixar dinheiro na mesa.
Na noite da última segunda-feira (22), no entanto, a companhia anunciou a venda dos empreendimentos Ten Oaks e Rayzor Ranch, ambos localizados no Texas. O valor total da transação é de US$ 139 milhões, o equivalente a R$ 716 milhões.
Acontece que o mercado não parece ter ficado muito satisfeito com o valor da transação, como é o caso dos analistas do JP Morgan e Itaú BBA.
Segundo este último banco, a venda aconteceu por um valor abaixo do estimado, gerando uma perda adicional de US$ 49 milhões. Para o time, considerando que o projeto Memorial também pode ser negociado abaixo de seu valor contábil, há risco de revisão negativa para essa estimativa.
“Vale destacar que esses ativos estavam registrados no balanço por US$ 188 milhões. Dessa forma, a venda implica uma perda de marcação a mercado de aproximadamente US$ 49 milhões (R$ 252 milhões), o que deve impactar os resultados da MRV e reduzir seu patrimônio líquido em cerca de 5%”, escrevem dos analistas do BBA.
Mas existe um lado positivo
Para o JP Morgan e Itaú BBA, o lado bom é que a transação contribui para a desalavancagem do balanço.
“O valor líquido estimado em R$ 448 milhões — R$ 716 milhões menos R$ 237 milhões referentes a participações minoritárias e eventuais taxas — representa uma redução de cerca de 7,5% da dívida líquida consolidada reportada no primeiro trimestre de 2026”, escreve o banco norte-americano em relatório.
O time de análise do JP Morgan destaca que, com isso, a relação dívida líquida sobre patrimônio líquido deve cair para aproximadamente 95%, ante 102% no primeiro trimestre de 2026, gerando uma economia estimada de R$ 65 milhões em despesas financeiras nos próximos 12 meses.
“No geral, avaliamos o anúncio como neutro a marginalmente positivo para a MRV. Isso porque a conclusão da venda é esperada apenas para o terceiro trimestre, enquanto nossa expectativa anterior era de US$ 100 milhões em desinvestimentos já no segundo trimestre”, escrevem os analistas em relatório.
Além disso, o time aponta que o desconto de 26% sobre o valor contábil representa uma perda potencial de cerca de R$ 250 milhões, acima da nossa projeção de R$ 140 milhões em perdas relacionadas à venda de ativos ao longo de 2026. A estimativa considera US$ 550 milhões em desinvestimentos no ano.
O caminho da MRV para se livrar logo do ‘problema Resia’
Desde que anunciou seu plano de desalavancagem, em dezembro de 2024, a MRV informou a venda de US$ 380 milhões (cerca de R$ 2 bilhões) em ativos. A companhia reiterou que a conclusão do processo de desinvestimentos da Resia deve trazer simplificação operacional, menor risco e resultados e geração de caixa mais previsíveis.
A MRV ainda mantém em carteira diversos empreendimentos, incluindo o projeto Memorial, registrado por US$ 109 milhões no balanço, com taxa de ocupação de 75%, e que pode ser vendido abaixo do valor contábil.
Por outro lado, a administração espera registrar ganhos de capital com a venda dos projetos Golden Glades, contabilizado por US$ 133 milhões, e North City.
Além disso, a Resia pretende vender os terrenos remanescentes, avaliados em US$ 160 milhões, bem como sua fábrica e outros ativos fixos, atualmente registrados por aproximadamente US$ 60 milhões.
“Em nossas projeções anteriores, assumíamos que os projetos legados seriam vendidos pelos valores contábeis e que os terrenos e a fábrica sofreriam desconto de cerca de um terço sobre seus valores registrados. Com isso, estimávamos uma dívida líquida residual de US$ 120 milhões em 2027, após a conclusão do plano de desinvestimentos”, diz o Itaú BBA.
No entanto, o banco aponta a possibilidade de que os ativos remanescentes também sejam vendidos por preços inferiores ao esperado e, por isso, a posição final de alavancagem da companhia pode acabar sendo pior do que o previsto anteriormente.
O que fazer com as ações?
Os dois bancos têm recomendação neutra para os papéis, com preços-alvo em R$ 4,95 e R$ 8,50 para JP Morgan e Itaú BBA, respectivamente.
No primeiro caso, não há valorização potencial, já que os papéis fecharam a R$ 4,95 ontem (22). Já em relação ao valor estimado pelo banco brasileiro, a alta poderia chegar a quase 72%.
Segundo o JP Morgan, atualmente MRVE3 está negociada a 3,8 vezes o lucro projetado para 2027, enquanto Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) são negociadas entre 6,7 e 7,1 vezes, e a Tenda (TEND3) a 5 vezes.
“Reconhecemos que as ações da MRV acumulam queda expressiva de 36% no ano e que as operações do programa Minha Casa, Minha Vida seguem melhorando. Ainda assim, preferimos permanecer de fora do papel até termos maior visibilidade sobre a geração de caixa operacional das operações brasileiras e sobre a capacidade da companhia de reduzir sua alavancagem”, diz o Itaú BBA.
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Na noite da última segunda-feira (22), no entanto, a companhia anunciou a venda dos empreendimentos Ten Oaks e Rayzor Ranch, ambos localizados no Texas. O valor total da transação é de US$ 139 milhões, o equivalente a R$ 716 milhões.
Acontece que o mercado não parece ter ficado muito satisfeito com o valor da transação, como é o caso dos analistas do JP Morgan e Itaú BBA.
Segundo este último banco, a venda aconteceu por um valor abaixo do estimado, gerando uma perda adicional de US$ 49 milhões. Para o time, considerando que o projeto Memorial também pode ser negociado abaixo de seu valor contábil, há risco de revisão negativa para essa estimativa.
“Vale destacar que esses ativos estavam registrados no balanço por US$ 188 milhões. Dessa forma, a venda implica uma perda de marcação a mercado de aproximadamente US$ 49 milhões (R$ 252 milhões), o que deve impactar os resultados da MRV e reduzir seu patrimônio líquido em cerca de 5%”, escrevem dos analistas do BBA.
Mas existe um lado positivo
Para o JP Morgan e Itaú BBA, o lado bom é que a transação contribui para a desalavancagem do balanço.
“O valor líquido estimado em R$ 448 milhões — R$ 716 milhões menos R$ 237 milhões referentes a participações minoritárias e eventuais taxas — representa uma redução de cerca de 7,5% da dívida líquida consolidada reportada no primeiro trimestre de 2026”, escreve o banco norte-americano em relatório.
O time de análise do JP Morgan destaca que, com isso, a relação dívida líquida sobre patrimônio líquido deve cair para aproximadamente 95%, ante 102% no primeiro trimestre de 2026, gerando uma economia estimada de R$ 65 milhões em despesas financeiras nos próximos 12 meses.
“No geral, avaliamos o anúncio como neutro a marginalmente positivo para a MRV. Isso porque a conclusão da venda é esperada apenas para o terceiro trimestre, enquanto nossa expectativa anterior era de US$ 100 milhões em desinvestimentos já no segundo trimestre”, escrevem os analistas em relatório.
Além disso, o time aponta que o desconto de 26% sobre o valor contábil representa uma perda potencial de cerca de R$ 250 milhões, acima da nossa projeção de R$ 140 milhões em perdas relacionadas à venda de ativos ao longo de 2026. A estimativa considera US$ 550 milhões em desinvestimentos no ano.
O caminho da MRV para se livrar logo do ‘problema Resia’
Desde que anunciou seu plano de desalavancagem, em dezembro de 2024, a MRV informou a venda de US$ 380 milhões (cerca de R$ 2 bilhões) em ativos. A companhia reiterou que a conclusão do processo de desinvestimentos da Resia deve trazer simplificação operacional, menor risco e resultados e geração de caixa mais previsíveis.
A MRV ainda mantém em carteira diversos empreendimentos, incluindo o projeto Memorial, registrado por US$ 109 milhões no balanço, com taxa de ocupação de 75%, e que pode ser vendido abaixo do valor contábil.
Por outro lado, a administração espera registrar ganhos de capital com a venda dos projetos Golden Glades, contabilizado por US$ 133 milhões, e North City.
Além disso, a Resia pretende vender os terrenos remanescentes, avaliados em US$ 160 milhões, bem como sua fábrica e outros ativos fixos, atualmente registrados por aproximadamente US$ 60 milhões.
“Em nossas projeções anteriores, assumíamos que os projetos legados seriam vendidos pelos valores contábeis e que os terrenos e a fábrica sofreriam desconto de cerca de um terço sobre seus valores registrados. Com isso, estimávamos uma dívida líquida residual de US$ 120 milhões em 2027, após a conclusão do plano de desinvestimentos”, diz o Itaú BBA.
No entanto, o banco aponta a possibilidade de que os ativos remanescentes também sejam vendidos por preços inferiores ao esperado e, por isso, a posição final de alavancagem da companhia pode acabar sendo pior do que o previsto anteriormente.
O que fazer com as ações?
Os dois bancos têm recomendação neutra para os papéis, com preços-alvo em R$ 4,95 e R$ 8,50 para JP Morgan e Itaú BBA, respectivamente.
No primeiro caso, não há valorização potencial, já que os papéis fecharam a R$ 4,95 ontem (22). Já em relação ao valor estimado pelo banco brasileiro, a alta poderia chegar a quase 72%.
Segundo o JP Morgan, atualmente MRVE3 está negociada a 3,8 vezes o lucro projetado para 2027, enquanto Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) são negociadas entre 6,7 e 7,1 vezes, e a Tenda (TEND3) a 5 vezes.
“Reconhecemos que as ações da MRV acumulam queda expressiva de 36% no ano e que as operações do programa Minha Casa, Minha Vida seguem melhorando. Ainda assim, preferimos permanecer de fora do papel até termos maior visibilidade sobre a geração de caixa operacional das operações brasileiras e sobre a capacidade da companhia de reduzir sua alavancagem”, diz o Itaú BBA.
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Artigo originalmente publicado em
www.seudinheiro.com