Dell (Imagem: Shutterstock/bluestork) Computadores, smartphones e servidores corporativos estão cada vez mais caros. O motivo é uma crise estrutural que vem se arrastando desde a pandemia e estourou no final de 2025, impulsionada pela explosão da inteligência artificial e as tensões geopolíticas. Por conta da alta demanda dos data centers, a indústria global de semicondutores comprometeu o fornecimento componentes básicos como pentes de memória RAM e unidades de armazenamento SSD.
A crise já é tão intensa que obrigou gigantes do setor a fazer reajustes severos na tabela de preços. A própria Dell aplicou um aumento de até 30% em sua linha corporativa de computadores e servidores, conforme revelou um vazamento de documentos internos publicado pelo Business Insider no final do ano passado.
O cenário é endossado por Rafael Pacheco, Diretor de Marketing de Produto da Dell para a América Latina. O executivo aponta que, apesar de o mercado já ter enfrentado gargalos na pandemia ou por conflitos internacionais, a situação atual parece diferente. “Eu entendo que é constante ter pequenas crises de oferta. Mas eu acho que ela nunca foi tão generalizada como está acontecendo agora”, explica ele, em entrevista ao Startups.
Ainda segundo Rafael, diante da crise não há alternativa a não ser aumentar os preços para o consumidor final, mas ainda dentro da realidade do mercado. “Muitos clientes têm se assustado. Eles pedem orçamento há três, quatro meses; quando vêm tomar a decisão, o mercado já mudou e está mudando muito rápido. Os valores não são mais os mesmos. Agora, estamos vendo muitos clientes antecipando o investimento, sabendo que vai ser inflacionário”, revela.
Ao comparar o cenário atual com os gargalos vividos pelo setor de tecnologia entre 2020 e 2022, durante a pandemia de coronavírus, o executivo diz que o mercado enfrenta “monstros de origens diferentes”. Isso porque, enquanto o colapso na pandemia foi gerado pela interrupção física de fábricas na China combinada a uma corrida desesperada por qualquer máquina disponível para o home office, a crise atual é marcada por um efeito inflacionário muito maior e por compras mais conscientes por parte dos clientes.
“O cliente, na pandemia, comprava qualquer coisa porque precisava trabalhar. Agora, ele está comprando uma solução que faça sentido. Isso é diferente do que aconteceu na pandemia, que deve ter acabado com todo o inventário do varejo, incluindo comprar coisas obsoletas”, complementa.
Para contornar os preços elevados, a Dell tem comprado os componentes e feito estoque deles de forma estratégica. O Startups chegou a perguntar ao Diretor de Marketing e Produto até quando a empresa teria essa disponibilidade garantida, mas Rafael preferiu não dizer datas ou dados fixos.
“O que eu posso dizer é que estamos bem suportados e seguimos tomando muito cuidado para comprar e ter material disponível para atender nossos clientes. Temos uma boa cadeia de supply chain”, finaliza. O post Dell: “Crise de componentes nunca foi tão generalizada” apareceu primeiro em Startups.