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Descoberta do Hubble surpreende e revela segredo do universo primitivo

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O Telescópio Espacial Hubble registrou uma galáxia distante que muitos cientistas acreditavam ser impossível de observar. O resultado ajuda a explicar como o universo deixou para trás a antiga “névoa” de hidrogênio que bloqueava a luz. Segundo o Space.com, os dados indicam que um aglomerado de estrelas quentes e massivas teve papel importante em tornar o cosmos transparente há bilhões de anos. MXDFz4.4 mostra aglomerado de estrelas quentes que ajuda a explicar como a luz começou a atravessar o universo – Imagem: NASA/ESA/CSA/STScI/Ilias Goovaerts e Anton Koekemoer (STScI)/Marc Rafelski (STScI, JHU)/ Processamento de imagem: Alyssa Pagan (STScI) De impossível a realidade A galáxia MXDFz4.4 existia cerca de 1,4 bilhão de anos após o Big Bang e chamou a atenção por emitir luz ultravioleta em uma época em que o universo ainda era dominado por hidrogênio neutro, um gás capaz de bloquear esse tipo de radiação. Foi durante a chamada Era da Reionização que esse cenário começou a mudar. Aos poucos, o hidrogênio neutro foi sendo ionizado, permitindo que a luz atravessasse o espaço e transformando completamente o aspecto do cosmos. Ao longo dos anos, os astrônomos concentraram as investigações em alguns candidatos capazes de produzir radiação suficiente para provocar essa mudança: buracos negros supermassivos ativos; primeiras gerações de estrelas quentes e massivas; surtos de formação estelar; ondas de radiação ionizante. Em 2023, o Telescópio Espacial James Webb já havia encontrado uma galáxia capaz de ionizar o gás ao seu redor. Desta vez, o Hubble foi além ao detectar diretamente a luz ultravioleta emitida pela MXDFz4.4. “Acreditava-se que observar uma galáxia como esta fosse impossível”, afirmou Ilias Goovaerts, do Space Telescope Science Institute (STScI), em Baltimore, que liderou o trabalho. “Os pesquisadores esperavam que a ‘névoa’ de hidrogênio neutro que preenchia o universo primitivo fosse densa demais e obscurecesse nossa visão de sua luz ionizante. O Hubble não apenas detectou essa luz, mas também ajudou a revelar detalhes incríveis sobre as características da galáxia.” Uma pequena galáxia com um papel gigante A MXDFz4.4 foi identificada inicialmente pelo instrumento MUSE, instalado no Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul, no Chile. Seu desvio para o vermelho (redshift) de 4,4 indica que ela existia há cerca de 12,37 bilhões de anos. E aqui está um detalhe impressionante: apesar de ser cerca de 100 vezes menor que a Via Láctea, essa galáxia forma estrelas em um ritmo dez vezes mais acelerado. Foi justamente isso que chamou a atenção dos pesquisadores. Boa parte dessas estrelas está concentrada em um aglomerado compacto e extremamente brilhante, apontado como uma espécie de fábrica de radiação ultravioleta. O aglomerado contém muitas estrelas jovens, quentes e massivas em um espaço reduzido, [que] são mais eficazes em romper o gás opaco. Ilias Goovaerts, do Space Telescope Science Institute (STScI), em nota. Hubble registra galáxia “impossível” e revela pistas sobre como o universo deixou de ser coberto por névoa cósmica de hidrogênio – Imagem: Dima Zel/Shutterstock Como a “névoa” do universo desapareceu A comparação entre os dados do Hubble e do James Webb revelou outro detalhe importante. Os cientistas concluíram que as estrelas desse sistema nasceram em surtos sucessivos. Cada nova geração produzia mais radiação ionizante, ajudando a abrir caminho para que a luz escapasse. “Os astrônomos encontraram muitas galáxias que existiam nessa fase da história do universo, mas não detectamos fótons ionizantes de nenhuma delas, o que torna a MXDFz4.4 única”, disse Marc Rafelski, vice-chefe da missão Hubble no STScI. Para Rafelski, encontrar outras galáxias semelhantes permitirá entender melhor como o universo se tornou transparente ao fim da Era da Reionização. Ainda há muitas perguntas sem resposta sobre esse período remoto. Mas o resultado mostra que o Hubble, mesmo após décadas em operação, continua revelando fenômenos que pareciam estar fora do alcance dos astrônomos. O post Descoberta do Hubble surpreende e revela segredo do universo primitivo apareceu primeiro em Olhar Digital.
Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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