A SLC Agrícola (SLCE3) deu um passo atrás sobre a compra bilionária do portfólio de terras "Bloco Mato Grosso", do Grupo Radar — empresa ligada à Cosan (CSAN3). Após vencer a disputa que daria direito de adquirir 28,8 mil hectares agricultáveis, no valor de R$ 1,85 bilhão, a SLC anunciou que ficará com uma área três vezes menor que a estimada anteriormente.
Em comunicado, a companhia afirmou que deve ficar com 8,9 mil hectares agricultáveis do portfólio localizado no estado do Mato Grosso, por R$ 669,04 milhões, incluindo a infraestrutura existente, como silos, algodoeira e outras benfeitorias operacionais.
A discussão anterior era de aquisição de todo o Bloco Mato Grosso, composto por aproximadamente 41,2 mil hectares físicos. Porém, outros arrendatários também tinham direito no portfólio. Durante o processo de negociação, houve a redução da parte que ficaria com a SLC.
No combinado atual, o pagamento será realizado em duas etapas:
Uma primeira parcela de R$ 255,1 milhões na assinatura do acordo; e
O restante, R$ 413,8 milhões, até 30 de outubro de 2026.
A negociação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), mas o anúncio já foi suficiente para animar os investidores.
Às 13h55 desta quinta-feira (9), as ações da SLC Agrícola reagem em alta de 3,56%. Cabe destacar que, embora seja feriado na cidade de São Paulo, a bolsa de valores funciona normalmente.
Apesar da reação positiva do mercado e de verem a operação com bons olhos, os analistas da XP Investimentos fazem um alerta sobre a compra da SLC: o timing.
Copo meio cheio ou vazio?
Na visão da corretora XP, a negociação com o Grupo Radar continua atrativa do ponto de vista operacional. Isso porque, ao se tornar proprietária, a SLC garante terras produtivas que já fazem parte das áreas onde a empresa opera.
Antes mesmo desse acordo, a SLC já cultivava soja, milho e algodão nessas terras por meio de contratos de arrendamento no Bloco Mato Grosso, em uma área de 17,6 mil hectares.
Com a compra dos 8,9 mil hectares, os outros 8,7 mil hectares devem continuar no modelo de arrendamento.
Além disso, os analistas destacam que a diminuição do valor, de R$ 1,85 bilhão para R$ 669 milhões, reduz a pressão sobre a alavancagem e o risco de problemas financeiros.
Porém, em termos de valuation, a XP avalia que a transação no acordo atual parece mais cara. Mesmo pagando menos no total, o valor por hectare se tornou maior.
No novo modelo, cada hectare agricutável custa R$ 72 mil. Antes, o valor seria de R$ 64 mil por hectare.
“Ainda assim, o maior preço implícito por hectare é parcialmente compensado pelo menor tamanho da aquisição”, afirmam os analistas da corretora.
Na avaliação da XP, no geral, o acordo revisado é considerado melhor do que o anterior, devido ao menor desembolso de dinheiro e menos impacto sobre a alavancagem. Porém, a equipe de análise faz um alerta sobre o cenário do setor agrícola.
"Apesar dos méritos estratégicos, continuamos vendo a transação como realizada em um momento desafiador do ciclo, embora reconheçamos que as perspectivas para os preços das commodities tenham melhorado recentemente." The post Deu um passo atrás? SLC Agrícola (SLCE3) fecha compra de terras no Mato Grosso e ação sobe, mas XP faz um alerta appeared first on Seu Dinheiro.