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Do grão à xícara: qual tipo de café combina melhor com a sua corrida?

Redação Recifes
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Do grão à xícara: qual tipo de café combina melhor com a sua corrida?

Para quem corre, o café já virou quase um ritual: antes do treino, para acordar o corpo; depois do longão, para ajudar na recuperação. Mas com tantas opções nas prateleiras — especial, gourmet, tradicional, extraforte — fica a dúvida: será que qualquer café serve, ou existe uma escolha mais inteligente para quem leva a performance a sério?

A resposta começa na lavoura. O café especial é aquele que passa por uma seleção rigorosa de grãos, com pontuação acima de 80 na escala da Specialty Coffee Association (SCA). Isso significa menos defeitos, colheita mais cuidadosa e, no final das contas, uma bebida com perfil de sabor mais complexo e rica em antioxidantes — especialmente os clorogenatos, compostos que estudos associam à redução de inflamação e ao suporte ao metabolismo. Para o corredor, isso é um bônus que vai além da cafeína.

O café gourmet ocupa uma faixa intermediária: é feito com grãos melhores do que os do tipo tradicional, mas sem o rigor de certificação dos especiais. Já o tradicional — aquele que mora no armário de 90% das cozinhas brasileiras — mistura grãos de diferentes qualidades, incluindo os chamados grãos defeituosos. O sabor mais amargo e encorpado que ele oferece é, em parte, resultado dessa mistura e de uma torra mais intensa, que destrói parte dos compostos bioativos. O extraforte vai além: leva uma proporção ainda maior de grãos de menor qualidade e torra escura, o que eleva a adstringência e reduz o teor de compostos benéficos.

Do ponto de vista da cafeína — o que mais interessa a quem busca rendimento — a diferença entre os tipos é menor do que parece. A substância é relativamente estável durante a torra, então um espresso feito com café especial e um feito com o tradicional podem ter quantidades parecidas de cafeína por dose. O que muda mesmo é o pacote completo: o especial entrega a cafeína com muito mais antioxidantes e menos compostos amargos que podem irritar o estômago — algo relevante para quem treina em jejum ou sente desconforto gastrointestinal nas corridas.

A orientação prática é simples: se o objetivo é performance e saúde, vale investir pelo menos em um café gourmet ou especial, prestando atenção na torra (prefira médias para preservar os antioxidantes) e evitando o excesso de açúcar, que anula boa parte dos benefícios. Uma xícara de café de qualidade, entre 30 e 60 minutos antes do treino, ainda é uma das estratégias de nutrição esportiva mais acessíveis e bem documentadas pela ciência. Escolher bem o grão é só mais um detalhe que separa o corredor consciente do restante do pelotão.

Artigo originalmente publicado em saude.abril.com.br
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