O Canadá não vive uma crise de colapso, mas atravessa um período de desempenho abaixo do que se espera de uma economia rica e estável. O problema central não é a falta de tamanho, e sim a falta de tração: a renda por habitante avança devagar, a produtividade continua fraca e o país perde espaço para pares com estruturas semelhantes.
No mercado de trabalho, o quadro ainda é de relativa resiliência, mas sem exuberância. O emprego cresce de forma irregular e o desemprego permanece em um nível desconfortável para um país que se orgulha de sua previsibilidade econômica. Ao mesmo tempo, a inflação já saiu da fase mais aguda, porém segue sensível a energia, serviços e moradia, o que reduz a folga do orçamento das famílias.
O ponto mais preocupante está no investimento produtivo. Em vez de acelerar ganhos de eficiência, inovação e capacidade industrial, a economia canadense tem dependido demais do consumo e do mercado imobiliário como motores de curto prazo. Esse modelo sustenta atividade por um tempo, mas não resolve a perda de competitividade nem melhora a produtividade de forma duradoura.
Na comparação com outras nações ricas, a lição é clara: o Canadá continua sendo um país robusto, mas hoje parece mais lento do que forte. Se quiser voltar a liderar o grupo das economias avançadas, terá de fazer algo mais difícil do que administrar estabilidade: precisará elevar investimento, destravar oferta de moradia e reconstruir o crescimento de longo prazo em bases mais produtivas.