A Independência dos Estados Unidos, proclamada em 1776, não ficou restrita ao território norte-americano. Suas ideias atravessaram o Atlântico e chegaram às colônias portuguesas na América, alimentando debates sobre liberdade, representação política e ruptura com a metrópole.
Entre os brasileiros que acompanharam esse movimento, a atração maior estava no modelo de separação entre colônia e império e na formação de uma república. Em um período em que o poder estava concentrado na Coroa, o exemplo dos Estados Unidos mostrou que era possível derrubar vínculos coloniais e organizar um novo Estado baseado em princípios mais autônomos.
Esse repertório intelectual ajudou a inspirar episódios como a Inconfidência Mineira, no fim do século 18, e mais tarde a Confederação do Equador, já no século 19. Embora cada rebelião tivesse causas próprias, ambas dialogavam com a insatisfação local, o desejo de maior autonomia e a circulação de ideias iluministas e republicanas.
A influência norte-americana, porém, não deve ser lida como cópia direta. No Brasil, esses ideais foram reinterpretados conforme as tensões sociais, econômicas e políticas do período. Ainda assim, a experiência dos Estados Unidos funcionou como uma espécie de horizonte possível para grupos que buscavam imaginar um país menos dependente de Portugal e mais aberto à ideia de república.