O Edifício Rolim, marco arquitetônico no coração de São Paulo, abandona temporariamente sua identidade histórica para abraçar o caos sobrenatural. Até o próximo 17 de julho, o prédio recebe uma experiência imersiva inspirada em "Em Chamas", o mais recente desdobramento da icônica franquia "A Morte do Demônio" (Evil Dead). A iniciativa reflete uma tendência crescente no Brasil: transformar espaços urbanos em palcos para experiências narrativas que transcendem o entretenimento passivo.
A franquia Evil Dead nunca saiu realmente de cena. De Ash Williams em seus avatares clássicos até Sam Raimi reinventando a marca com abordagens mais viscerais, a série mantém um fascínio peculiar junto ao público que aprecia horror como expressão artística legítima. "Em Chamas" chega justamente quando a indústria criativa brasileira descobre o potencial lucrativo—e cultural—de converter narrativas cinematográficas em experiências de corpo inteiro. A proposta é deslocar o espectador do assento confortável e situá-lo dentro da lógica caótica do universo Evil Dead.
O Edifício Rolim, em particular, é escolha estratégica. Sua arquitetura Brutalista decades, corredores austeros e atmosfera já ligeiramente fantasmagórica o tornam cenário perfeito para sustos calculados e efeitos cenográficos. Não é mera replicação de cenas do filme, mas apropriação do espaço como personagem colateral da horror.
Com data de encerramento próxima, a experiência consolida um padrão que ressurge em cidades brasileiras: eventos de curta duração que justificam presença imediata e boca-a-boca digital. Parte ativação publicitária, parte experimento artístico, a ocupação do Rolim sugere que o horror—aquele gênero frequentemente marginalizado pela crítica tradicional—encontrou seu lugar não apenas nas telas, mas nas ruas da metrópole.