🌊 Negócios em Emersão  ·  Vamos Emergir?  ·  Cadastre-se e ganhe 50 REC de bônus

El Niño pode transformar a Amazônia de aliada em inimiga do clima, aponta pesquisa

Redação Recifes
0 visualizações
El Niño pode transformar a Amazônia de aliada em inimiga do clima, aponta pesquisa
Foto: Lucia Barreiros Silva / Pexels

A Amazônia armazena cerca de 123 bilhões de toneladas de carbono – mais do que qualquer outro ecossistema terrestre do planeta. Mas essa reserva natural pode se tornar uma ameaça ao clima em vez de uma proteção contra ele.

Durante eventos de El Niño intensos, florestas tropicais da América do Sul podem parar de absorver CO₂ e começar a liberar carbono na atmosfera, segundo pesquisa publicada em 2023 na revista Nature Climate Change.

O estudo foi conduzido pelo cientista Tom Pugh, da Universidade de Birmingham, com mais de 100 colaboradores. O alerta ganha urgência agora: a NOAA, agência meteorológica americana, confirmou recentemente que um novo El Niño está em curso – e cientistas advertem que 2026 pode ser o ano mais quente já registrado.

Como o El Niño afeta as florestas

Florestas tropicais absorvem CO₂ pelo processo de fotossíntese e convertem esse carbono em biomassa. Mas esse equilíbrio é delicado e depende de dois fatores: temperatura e disponibilidade de água.

Em condições mais quentes e secas, as plantas fecham os poros das folhas para evitar a perda de água. O problema é que é por esses mesmos poros que elas absorvem o CO₂ necessário para crescer. Sem CO₂, a fotossíntese para. E, quando as árvores morrem por causa do estresse climático, o carbono acumulado em seu tronco é liberado de volta para a atmosfera durante a decomposição – um efeito que se prolonga por décadas.

Durante o El Niño de 2015-2016, quando as temperaturas em terra firme estavam pelo menos 1°C acima da média, parte das florestas tropicais da América do Sul efetivamente parou de absorver carbono, segundo o estudo.

500 mil árvores monitoradas por 30 anos

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores mediram mais de 500 mil árvores em seis países sul-americanos ao longo de mais de 30 anos, usando fitas métricas para monitorar o crescimento de mais de 4.000 espécies diferentes. Com esses dados, calcularam estimativas precisas do carbono armazenado na biomassa acima do solo.

Os resultados mostraram que as florestas mais secas, nas bordas da Amazônia – onde as árvores já enfrentam períodos regulares de escassez de água – foram as mais vulneráveis. Em média, um aumento de 0,5°C na temperatura fez essas florestas perderem 0,5% de seu carbono acima do solo.

As maiores árvores foram as mais afetadas

A mortalidade de árvores nas florestas tropicais sul-americanas subiu de 1,8% para 3% ao ano durante o El Niño. Mas, para árvores médias e grandes – com mais de 20 cm de diâmetro –, a taxa de mortalidade efetivamente dobrou.

Árvores maiores com madeira menos densa morreram em proporção muito maior do que árvores pequenas e aquelas com madeira mais densa. Os pesquisadores atribuem esse padrão à falha hidráulica: a demanda intensa de umidade da atmosfera rompe a tensão na coluna de água interna da árvore, como partir uma corda esticada.

Por que 2026 preocupa

O alerta atual vai além dos dados históricos. Nunca antes um El Niño começou com os oceanos já tão quentes e as temperaturas do ar já tão elevadas. E, nas últimas três décadas, as bordas da Amazônia experimentaram algumas das temperaturas mais altas e o aquecimento mais rápido já registrado nos trópicos.

Quando uma grande anomalia climática ocorre antes que a floresta se recupere do estresse dos anos anteriores, sua integridade estrutural já está comprometida. A combinação desses fatores cria o risco de perdas de árvores e carbono em escalas ainda não vistas.

“O futuro da Amazônia depende disso – e o nosso também”, concluem os pesquisadores no artigo publicado no The Conversation. O post El Niño pode transformar a Amazônia de aliada em inimiga do clima, aponta pesquisa apareceu primeiro em Olhar Digital.

Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
Compartilhar:

Comentários

Seja o primeiro a comentar!