🌊 Negócios em Emersão  ·  Vamos Emergir?  ·  Cadastre-se e ganhe 50 REC de bônus

Ela investiu R$ 10 mil para construir um negócio de cuidadores que deve faturar R$ 314 milhões neste ano

Redação Recifes
1 visualização
Ela investiu R$ 10 mil para construir um negócio de cuidadores que deve faturar R$ 314 milhões neste ano
Foto: Berna / Pexels

Quando tinha apenas sete anos, Jéssica Ramalho viu a rotina da família mudar completamente. O pai enfrentava Alzheimer, Parkinson e diabetes, e a falta de profissionais preparados para oferecer cuidados especializados fez com que ela acompanhasse de perto uma realidade que, anos depois, se transformaria em negócio.

Hoje, a fisioterapeuta está à frente da franquia Acuidar, rede especializada em cuidados domiciliares que reúne mais de 350 unidades no Brasil e projeta faturar R$ 314 milhões em 2026. Em 2025, a receita foi de R$ 240 milhões.

A empresa também aposta em tecnologia, diversificou sua atuação e prepara a expansão internacional, começando por Portugal.

Acuidar: negócio teve origem em casa

Ainda criança, Ramalho criou um caderno para registrar todos os cuidados prestados ao pai. "Eu escrevia tudo que eu fazia com ele durante os dias. Aplicava insulina, verificava a pressão e fazia massagens de alívio para que ele tivesse qualidade de vida", afirma em entrevista ao Seu Dinheiro.

Anos depois, já formada em fisioterapia e trabalhando no Sistema Único de Saúde (SUS), ela percebeu que a situação vivida dentro de sua casa estava longe de ser um caso isolado.

Segundo a empreendedora, mesmo famílias com condições financeiras encontravam dificuldades para contratar profissionais qualificados, recorrendo muitas vezes a pessoas sem formação técnica para desempenhar funções que exigiam conhecimento específico.

Um empréstimo de R$ 10 mil deu início ao negócio

A decisão de transformar essa necessidade em empresa veio em 2016. Ao lado do marido, o médico geriatra Vitor Hugo de Oliveira, Jéssica abriu a Acuidar com um investimento inicial de R$ 10 mil, vindos de um empréstimo bancário.

O valor foi usado para comprar equipamentos básicos e alugar uma pequena sala. A fundadora contou com o apoio de um contador, amigo de seu esposo, que abriu a empresa sem cobrar honorários iniciais, permitindo que o casal pagasse pelo serviço posteriormente.

O retorno, segundo ela, veio rapidamente. O empréstimo tomado junto ao banco foi totalmente quitado logo no primeiro ano de operação do negócio.

Logo nas primeiras vagas anunciadas, a empresa recebeu mais de 2 mil currículos. A partir daí, a fundadora estabeleceu critérios rigorosos para a contratação, priorizando técnicos de enfermagem e investindo em treinamentos práticos para padronizar o atendimento. As capacitações incluíam até simulações com bonecos para preparar os profissionais para situações do dia a dia.

"Eu precisava ter certeza de que o que estávamos oferecendo era algo em que eu confiaria para a minha própria família", afirma.

Para conquistar os primeiros clientes da Acuidar em João Pessoa, os fundadores apostaram em uma combinação de divulgação direta, parcerias estratégicas e networking profissional. A empreendedora distribuiu panfletos em hospitais e clínicas e firmou parcerias com médicos, que passaram a indicar o serviço a pacientes com necessidade de acompanhamento domiciliar.

A experiência dos sócios na área da saúde também ajudou a impulsionar o negócio, em que eles divulgavam o negócio para a rede de contato. A primeira cliente da Acuidar, inclusive, foi uma paciente dele, que buscava acompanhamento hospitalar para a avó.

Desde o início, os empreendedores investiram na qualificação da equipe como forma de se diferenciar no mercado. Ramalho treinou pessoalmente os 20 primeiros cuidadores, acompanhando os profissionais nos primeiros dias de trabalho para garantir o padrão de atendimento. Além dos cuidados técnicos, a empresa passou a incentivar atividades recreativas, como jogos de tabuleiro, para estimular a convivência e contribuir para a qualidade de vida dos idosos.

Com a satisfação das famílias, as indicações passaram a se tornar o principal motor de crescimento da empresa. Então, Oliveira também passou a se dedicar integralmente à operação.

Franquias aceleraram a expansão

Depois de consolidar a operação, Ramalho percebeu que precisava decidir entre manter a empresa em um ritmo menor ou estruturar um modelo capaz de crescer em escala. A escolha foi apostar no franchising.

No fim de 2018, ela começou a estudar o mercado de franquias por conta própria. Livros, vídeos no YouTube e pesquisas serviram de base para desenhar o novo modelo de negócios.

O processo coincidiu com um momento delicado na vida pessoal. Após a morte do pai, em janeiro de 2019, a empreendedora conta que mergulhou no projeto da franqueadora.

"Eu queria alguma coisa que me fizesse esquecer aquela dor. Comecei a pesquisar e a desenhar como seria franquear a marca."

Ao longo de 2019, a empreendedora documentou processos, criou fluxos de trabalho, desenvolveu sistemas de monitoramento e estruturou os treinamentos da rede. Todo esse conhecimento foi organizado para que o modelo pudesse ser replicado pelos futuros franqueados.

A expansão nacional foi anunciada no fim de 2019, e o lançamento oficial da rede de franquias aconteceu em janeiro de 2020.

Poucos meses depois, porém, a pandemia do coronavírus obrigou a empresa a mudar os planos. O treinamento presencial, que seria realizado em João Pessoa, foi cancelado por causa do lockdown. A solução foi transformar toda a capacitação em um formato digital.

Segundo a empresa, a estratégia permitiu manter o plano de expansão mesmo durante a crise. No primeiro ano de operação como franqueadora, a Acuidar vendeu 30 franquias. Por atuar em um serviço considerado essencial e adotar protocolos de segurança, a rede continuou crescendo durante a pandemia.

Inteligência artificial ajuda a selecionar cuidadores

Além da expansão por franquias, a Acuidar passou a investir em tecnologia para padronizar os serviços e dar suporte às unidades.

Um dos principais projetos da empresa é um laboratório de inteligência artificial voltado ao recrutamento e à seleção de cuidadores. A ferramenta cruza informações sobre o perfil do profissional e as necessidades do paciente para indicar a combinação mais adequada.

O sistema considera fatores como experiência em determinadas condições de saúde, perfil comportamental e até a proximidade entre cuidador e assistido, buscando reduzir deslocamentos e agilizar o início do serviço.

A tecnologia também é utilizada para organizar processos internos e dar suporte às franquias. Além disso, a rede adotou relógios inteligentes para monitorar sinais vitais e detectar quedas em tempo real e disponibiliza a contratação de serviços diretamente pelo site.

Da assistência domiciliar para o mercado de limpeza

A expansão do grupo também passou pela diversificação dos negócios. Há cerca de dois anos, a empresa lançou a Dona Help, marca voltada para serviços de limpeza e multisserviços.

Segundo Ramalho, a ideia surgiu depois de uma experiência ruim ao contratar uma empresa do setor. A insatisfação com a qualidade do serviço e com a forma de contratação da profissional levou a empreendedora a enxergar espaço para criar um negócio que buscasse padronizar o atendimento e oferecer melhores condições aos prestadores de serviço.

Hoje, a Dona Help reúne 70 unidades espalhadas pelo país e atua em diferentes frentes, como limpeza residencial, limpeza pós-obra, serviços de copeiro, piscineiro, atendimento pós-evento e apoio em mudanças.

Como estratégia de identificação da marca, a empresa utiliza uma fragrância aplicada ao final de cada atendimento.

A expectativa é terminar 2026 com 100 unidades e alcançar 800 operações no Brasil até 2030.

Expansão internacional é o próximo passo

Com a rede se aproximando do limite de expansão no mercado brasileiro, o Grupo Acuidar já traçou os próximos passos para manter o ritmo de crescimento: a internacionalização. A primeira operação fora do país deve ser inaugurada em Lisboa, ainda em 2026. Segundo a empresa, estudos sobre o mercado português já estão em andamento.

O plano prevê, na sequência, a entrada no Canadá. De acordo com a fundadora Jéssica Ramalho, a rede já conta com investidores interessados e avalia possíveis locais para instalar a marca no país.

A decisão de expandir para o exterior veio após um estudo de mercado apontar que o Brasil comporta, de forma organizada, cerca de 500 unidades da rede. Com a franquia próxima desse patamar, a internacionalização passou a ser vista como o principal caminho para sustentar o crescimento.

A meta é ambiciosa: tornar a Acuidar a maior rede de cuidadores do mundo até 2030. Hoje, segundo a empresa, a maior rede global do segmento reúne cerca de 170 unidades.

The post Ela investiu R$ 10 mil para construir um negócio de cuidadores que deve faturar R$ 314 milhões neste ano appeared first on Seu Dinheiro.

Artigo originalmente publicado em www.seudinheiro.com
Compartilhar:

Comentários

Seja o primeiro a comentar!