🌊 Negócios em Emersão  ·  Vamos Emergir?  ·  Cadastre-se e ganhe 50 REC de bônus

Emojis e códigos ocultos: como aliciadores se aproximam de crianças na internet

Redação Recifes
0 visualizações
Emojis e códigos ocultos: como aliciadores se aproximam de crianças na internet

Uma borboleta, uma cereja, um emoji de coração específico. Para a maioria dos usuários, esses símbolos não passam de elementos decorativos em mensagens do dia a dia. Para especialistas em proteção infantil e crimes digitais, no entanto, eles podem ser sinais de alerta de situações de aliciamento sexual — prática conhecida internacionalmente como grooming. O fenômeno ganhou escala com o crescimento do acesso à internet entre crianças e adolescentes, e exige atenção redobrada de pais, educadores e responsáveis.

O aliciamento digital raramente começa de forma explícita. Especialistas descrevem um padrão comportamental gradual: o predador inicia o contato com elogios, demonstrações de interesse genuíno e presentes virtuais — como skins em jogos, moedas digitais ou seguidores em redes sociais. Com o tempo, a comunicação migra para plataformas com menos moderação, onde o controle dos adultos é menor. É nesse ambiente que certos emojis e expressões codificadas funcionam como sinais de reconhecimento entre aliciadores ou como ferramentas para testar os limites da vítima sem levantar suspeitas imediatas.

Entre os símbolos mais monitorados por pesquisadores estão combinações de emojis que sugerem interesse sexual em menores, além de termos em inglês e gírias específicas usadas em fóruns e grupos fechados. O perigo está justamente na aparência inocente desses elementos: uma criança que os utiliza sem saber o significado pode, inadvertidamente, atrair a atenção de predadores que vasculham perfis públicos em busca desses marcadores. Plataformas de jogos online, em especial aquelas com chats em tempo real, figuram entre os ambientes mais explorados para esse tipo de abordagem.

A psicóloga especializada em violência contra crianças Renata Souza, que atua em Blumenau, reforça que a conversa em família é a primeira linha de defesa. "Não se trata de proibir o acesso à tecnologia, mas de construir um canal de confiança para que a criança sinta segurança em relatar qualquer situação estranha", explica. Ela recomenda que pais e responsáveis se familiarizem com as plataformas usadas pelos filhos e mantenham o diálogo aberto sobre comportamentos suspeitos online, sem transformar o assunto em tabu.

Em caso de suspeita de aliciamento, a orientação é registrar prints das conversas e acionar o Disque 100 — canal federal gratuito para denúncias de violações contra crianças e adolescentes — ou a Delegacia de Crimes Cibernéticos mais próxima. No Vale do Itajaí, a Polícia Civil de Santa Catarina mantém núcleos especializados para apurar esse tipo de crime. Denunciar é fundamental: além de proteger a vítima direta, a notificação ajuda a identificar redes de predadores que atuam de forma coordenada em múltiplas plataformas.

Artigo originalmente publicado em www.dw.com
Compartilhar:

Comentários

Seja o primeiro a comentar!