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Energia debaixo dos pés: a aposta cara que pode mudar a matriz

Energia debaixo dos pés: a aposta cara que pode mudar a matriz

A energia geotérmica voltou ao radar com força. Em vez de depender apenas de regiões vulcânicas ou fontes naturalmente mais quentes, novas empresas estão desenvolvendo soluções para capturar o calor armazenado no subsolo em mais lugares do mundo. A proposta é simples na teoria: transformar uma fonte estável e praticamente inesgotável em eletricidade e calor de baixo carbono.

O problema está na execução. Abrir poços, perfurar em profundidade e adaptar a infraestrutura exige capital alto, tecnologia sofisticada e muita paciência para chegar à escala comercial. Por isso, o setor atrai interesse de investidores e governos, mas ainda convive com o desafio clássico de provar que pode competir em preço com solar, eólica e outras opções já consolidadas.

As start-ups da área apostam em caminhos diferentes para reduzir riscos e custos. Algumas trabalham com poços mais profundos e técnicas herdadas da indústria de petróleo e gás; outras buscam sistemas fechados que circulam fluidos sem depender tanto das condições geológicas locais. Há também quem mire o fornecimento de calor para indústrias, redes de aquecimento e centros de dados, onde a constância da fonte pode pesar mais que o custo inicial.

No fim, a disputa não é só tecnológica, mas econômica. Se os novos modelos conseguirem encurtar prazos, diminuir a complexidade das obras e entregar energia confiável em escala, a geotermia pode deixar de ser uma promessa de nicho. Se isso não acontecer, continuará sendo uma solução potente, porém cara demais para competir fora de mercados muito específicos.

Artigo originalmente publicado em www.bbc.co.uk
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