Download E-mail Enviar O Energy Summit 2026 ocupou a AXIA Marina da Glória, no Rio de Janeiro, entre 23 e 25 de junho, em sua terceira edição. Realizado em parceria com o MIT, o evento reuniu lideranças empresariais, representantes do poder público, academia, investidores, startups e especialistas internacionais em torno de uma agenda que já não trata energia apenas como setor econômico, mas como base para discussões sobre desenvolvimento, tecnologia, soberania, infraestrutura e competitividade. A programação, distribuída entre palcos principais, eventos paralelos, experiências, ativações de marcas e espaços de relacionamento, funcionou como uma plataforma de conexão entre conhecimento, negócios, política pública e execução. Em vez de apresentar respostas definitivas para a transição energética, o encontro explicitou a complexidade do tema: garantir energia limpa, segura, competitiva e disponível será uma das condições para sustentar as próximas ondas de inovação. O Brasil na nova geopolítica da energia A abertura do evento definiu parte do tom dos três dias. Ao receber o público, Hudson Mendonça, CEO do Energy Summit, resumiu a ambição do encontro em duas palavras: comunidade e impacto. A escolha serviu como chave de leitura para a programação: a transição energética depende menos de soluções isoladas e mais da capacidade de articular governos, empresas, academia, investidores e sociedade em torno de uma agenda comum. Essa visão ganhou dimensão territorial com a presença de Eduardo Cavalieri, prefeito do Rio de Janeiro. Em sua fala, Cavalieri associou a vocação energética da cidade às novas fronteiras tecnológicas. “A situação geopolítica global obriga o mundo a olhar para o Brasil e para o Rio de Janeiro. A combinação de uma indústria forte e de muitos talentos faz com que tenhamos tudo de que o futuro precisa para ser um grande polo de Inteligência Artificial”, afirmou. A mensagem sintetizou um dos eixos centrais do primeiro dia: energia deixou de ser apenas uma pauta de matriz ou suprimento e passou a ser também uma disputa por infraestrutura, inovação e protagonismo tecnológico. Nesse contexto, o Rio apareceu não apenas como sede do evento, mas como uma possível plataforma para uma nova economia energética, capaz de aproximar petróleo e gás, eletricidade, pesquisa, capital, indústria e novas demandas digitais. A mesma lógica apareceu nas falas de lideranças do setor. Giovanna Curty, diretora de Comunicação e Sustentabilidade da Light, destacou que o Rio reúne condições para receber data centers e se tornar um polo tecnológico nas Américas. Renata Baruzzi, diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, ampliou o debate ao relacionar energia a crescimento econômico e inclusão social. “A gente tem que adicionar energia para trazer mais bem-estar para o nosso povo e mais desenvolvimento para o nosso país”, afirmou. No mesmo dia, a Petrobras reforçou a tecnologia e a inovação como pilares de sua estratégia para novas soluções energéticas. A companhia prevê US$ 13 bilhões em investimentos em transição energética no Plano de Negócios 2026-2030, incluindo energias de baixo carbono, bioprodutos, descarbonização das operações e Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação. Fora dos palcos principais, a programação paralela ampliou o debate para mobilidade, ciência, carreira, inclusão, inovação social, cultura e negócios. O E-Days conectou eletrificação, infraestrutura e novos modelos de negócio. Durante a agenda, a chegada da BAIC ao Brasil reforçou o movimento de entrada de novas marcas no mercado de veículos elétricos compactos e SUVs eletrificados. O Science Village reuniu pesquisadores, professores, estudantes, trabalhos científicos e universidades, reforçando que a transição energética também depende da articulação entre ciência, indústria, governo e investidores. O Science & Arts aproximou arte, ciência e tecnologia para traduzir temas complexos de forma mais acessível, enquanto a Arena Diálogos da Transição, com curadoria da Agência Eixos, aprofundou discussões sobre mercado, regulação e desafios práticos do setor. Esses espaços ajudaram a transformar a Marina da Glória em um ambiente de conteúdo, relacionamento e experimentação. Segurança energética, Inteligência Artificial e novas fronteiras No segundo dia, o Energy Summit ampliou a discussão sobre transição energética para além da substituição de fontes. A agenda tratou energia como uma questão global de segurança, tecnologia, infraestrutura e investimento. Em meio ao aumento da demanda energética, à expansão da Inteligência Artificial e à pressão por descarbonização, surge a pergunta estratégica: quem será capaz de garantir energia limpa, firme, competitiva e disponível nas próximas décadas? A palestra “*Energy Human Space Exploration: Energy Collection, Generation, and Storage from Earth to the Moon and Mars*”, de Alexander Burg, fundador do Mars Program, deslocou essa discussão para a exploração espacial. Ao tratar da presença humana na Lua e em Marte, Burg apresentou a energia como condição estruturante para qualquer avanço tecnológico fora da Terra. Ele conectou mineração lunar, hélio-3 e novas formas de geração. Segundo Burg, o isótopo, raro na Terra e presente no solo lunar, poderia abrir caminho para novos reatores de fusão. “Será muito difícil minerar a Lua, mas isso poderá aumentar a geração de energia em seis ou sete vezes”, afirmou. Ao falar sobre Marte, Burg fez uma projeção sobre o futuro da exploração espacial. “Acho que daqui a 20 anos teremos colonizado e industrializado a Lua. Já teremos mandado missões para Marte e talvez descoberto sinais de vida passada por lá. Se encontrarmos isso, será a maior descoberta da humanidade”, disse. A programação paralela do segundo dia expandiu a discussão sobre combinar confiabilidade, inovação e visão estratégica de longo prazo para regulação, empreendedorismo, impacto social e novos modelos de colaboração. A Arena Diálogos da Transição, a Arena Open Innovation, o Favela Inova e o Conexões em Teias reuniram debates sobre segurança jurídica, inovação corporativa, economia circular, cultura e impacto. O palco Women in Energy foi dedicado à liderança feminina no setor elétrico. Ao longo do dia, os debates conectaram equidade, acesso à energia e justiça social. A mensagem foi direta: fortalecer a liderança feminina na energia exige também formar a base, para que mais meninas e jovens se vejam nesse mercado e possam ocupar espaços de decisão no futuro. Outros espaços, como Science Village, Petrobras, E-Days, e-Light Arena e Energy Square, mostraram como pesquisa aplicada, PD&I, eletrificação, conectividade, games, networking e cultura passaram a compor uma visão mais ampla da transformação energética. Mercado, escala e legado No terceiro dia, a programação conectou mercados de carbono, inovação aberta, geração distribuída, startups, combustíveis sustentáveis, software e dados. A transição energética, indicaram os debates, será definida tanto por novas tecnologias quanto pela capacidade de transformá-las em mercado, escala e competitividade. A manhã começou com uma provocação sobre maturidade institucional. Ao falar sobre mercados de carbono, Florian Berg, pesquisador do MIT, resumiu o desafio de construir mecanismos mais confiáveis: “A nossa esperança é que o mercado aprenda com os erros do passado”. A frase deu o tom de uma discussão que atravessou o dia: inovar no setor energético exige ambição, mas também aprendizado, regulação e instrumentos capazes de sustentar confiança. Essa busca por inovação também ultrapassou fronteiras. Na palestra dedicada a tecnologias israelenses, o debate reforçou a importância de olhar para ecossistemas globais e adaptar soluções ao contexto brasileiro. Ricardo Kahn, diretor de Corporate Innovation na Valetec Capital, sintetizou essa visão ao afirmar que, “quando estamos tentando prospectar tecnologia, é importante buscar fontes globais fora do Brasil”. A referência ao ecossistema israelense apareceu menos como modelo a ser copiado e mais como convite à velocidade, à adaptação e à conexão entre tecnologia e mercado. A dimensão territorial da transição apareceu no painel “Governança Metropolitana e o desenvolvimento em escala”. A discussão levou para o centro do debate a necessidade de pensar energia, infraestrutura e serviços essenciais de forma integrada entre municípios. Maurício Knoploch, diretor de Planejamento e Projetos do Instituto Rio Metrópole, definiu a gestão metropolitana como uma governança regionalizada, capaz de organizar decisões e políticas públicas em escala. “A gente tem um planejamento estratégico de desenvolvimento urbano integrado. Queremos trazer o equilíbrio da metrópole”, afirmou. A fala conectou o debate energético a uma agenda mais ampla de desenvolvimento regional: além de ampliar a oferta de energia ou atrair investimentos, é importante garantir que infraestrutura, emprego, serviços e qualidade de vida cheguem de forma mais equilibrada aos territórios. Fora dos palcos principais, o terceiro dia reforçou a força da programação paralela. A Arena Diálogos da Transição aprofundou temas como GLP, desenvolvimento sustentável e mercado. O Career Track discutiu carreiras, liderança, Inteligência Artificial e novas competências. Enquanto o Favela Inova conectou inovação social, comunidades, design sustentável e projetos de impacto, o Science Village aproximou ciência, Amazônia, oceanos e segurança energética. Já a Arena Open Innovation destacou startups, regulação, comunicação e tecnologias disruptivas, e o E-Days trouxe mobilidade elétrica, novos consumidores e logística para o centro da conversa. Expansão e futuro Ao final dos três dias, o Energy Summit deixou como síntese a imagem de um setor em expansão e de um mundo que não pode mais discutir seu futuro sem colocar energia no centro da conversa. Energia já não cabe apenas nas categorias tradicionais de geração, transmissão, distribuição e consumo. Ela move cidades, conecta pessoas, sustenta indústrias, viabiliza tecnologias, impulsiona a ciência e determina as condições para que sociedades cresçam, produzam e enfrentem seus maiores desafios. Foi essa consciência que reuniu líderes, especialistas, inovadores e tomadores de decisão na AXIA Marina da Glória. E é ela que projeta o Energy Summit 2027 como continuidade natural dessa convergência, sob o conceito “*All Energies, One Summit*”. Mais do que reunir diferentes fontes, tecnologias e setores, a proposta é aprofundar conexões e ampliar o diálogo entre os agentes que constroem o futuro da energia. O post Energy Summit 2026 coloca energia no centro da agenda de tecnologia e desenvolvimento apareceu primeiro em MIT Technology Review - Brasil.
Energy Summit 2026 coloca energia no centro da agenda de tecnologia e desenvolvimento
Redação Recifes
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Artigo originalmente publicado em
mittechreview.com.br
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