A Engie Brasil Energia (EGIE3) irá buscar mais capital com o mercado para concluir a compra de 40% da Jirau Energia, dona de uma das maiores hidrelétricas do país. A companhia informou ao mercado nesta segunda-feira (6) que protocolou um registo de oferta pública primária de ações junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
O objetivo é emitir cerca de 178,7 milhões de novas ações, podendo aumentar esse número em até 148 milhões de ações adicionais, dependendo da demanda dos investidores.
Como a oferta é primária, esses recursos irão para o caixa da elétrica. O principal objetivo da operação, segundo a companhia, é levantar recursos para a compra da Jirau.
Considerando o valor do último fechamento, de R$ 32,14, a oferta pode movimentar R$ 5,744 bilhões, o valor previsto para a incorporação da Jirau.
A operação será coordenada por Itaú BBA (coordenador líder), Santander, Bradesco BBI, BTG Pactual e Morgan Stanley. O preço por ação será fixado após a conclusão das coletas de intenções entre os investidores, o que deve acontecer no dia 14 de julho, segundo a empresa. Atualmente, as ações são negociadas a R$ 32,08.
Os detalhes da oferta de ações
Os atuais acionistas terão prioridade para aquisição da oferta, proporcionalmente à participação atual, o que manteria sua participação sem diluição. O período de prioridade será de 6 a 10 de julho.
A empresa de energia elétrica também está de olho nos investidores norte-americanos. Ela informou que serão também realizados esforços de colocação das ações no exterior. Os agentes de colocação internacional são os bancos Itau BBA USA Securities, Inc., Santander US Capital Markets LLC, Bradesco Securities, Inc., BTG Pactual US Capital LLC e Morgan Stanley & Co. LLC. Essa oferta é exclusivamente para investidores institucionais qualificados.
Caso a captação supere o valor da compra da participação na Jirau, os recursos excedentes serão utilizados para fortalecer a estrutura de capital da companhia, reduzindo alavancagem e aumentando a flexibilidade financeira, afirma a Engie.
O documento estabelece que o preço da oferta será definido por bookbuilding, quando os coordenadores da oferta realizam uma pesquisa de mercado para estimar a demanda e calcular o valor por ação.
A liquidação financeira da oferta acontecerá no dia 17 de julho.
O alerta para os acionistas da Engie
No entanto, o Safra ligou um sinal de alerta para o investidor comum. O banco estima que, para a estrutura da operação funcionar sem que os acionistas minoritários sejam diluídos, será necessária uma captação expressiva.
Na visão dos analistas Daniel Travitzky, Carolina Carneiro e Ricardo Bello, a perspectiva de uma oferta primária desse tamanho tende a pesar no mercado e aumentar a volatilidade das ações da Engie nos próximos meses.
Assim, o Safra decidiu manter a recomendação de underperform (equivalente à venda) para as ações da Engie, estipulando um preço-alvo de R$ 34,26.
O motivo principal do ceticismo do banco gira em torno do preço pago. O Safra avalia que o valor aprovado para a participação em Jirau ficou acima de suas estimativas anteriores e classificou o valuation atual do ativo como exigente.
Mas nem tudo é motivo de cautela. O banco pondera que há espaço para uma melhora nas projeções de retorno para o investidor se alguns gatilhos operacionais e fiscais se confirmarem no futuro.
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