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Entrevistas por vídeo podem esconder os melhores talentos do mercado

Redação Recifes
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Entrevistas por vídeo podem esconder os melhores talentos do mercado
Foto: Isaiah Ekele / Pexels

O processo seletivo moderno ganhou uma ferramenta poderosa com a popularização das entrevistas por videoconferência — mas essa mesma conveniência pode estar custando caro às empresas. A avaliação é que o formato digital cria barreiras invisíveis que impedem candidatos, especialmente os mais jovens, de transmitir o que realmente os diferencia: carisma, engajamento e paixão pelo que fazem.

A crítica ao modelo virtual ganhou força após declarações do primeiro-ministro britânico Andy Burnham, que sinalizou preocupação com o impacto dessas entrevistas sobre a geração mais nova de trabalhadores. Para Burnham, a tela do computador funciona como um filtro que achata nuances humanas essenciais para qualquer avaliação de perfil profissional. O debate, embora originado no Reino Unido, ressoa fortemente no Brasil, onde o recrutamento remoto se consolidou após a pandemia e permanece como padrão em boa parte das grandes corporações.

Recrutadores ouvidos pelo mercado apontam que a entrevista presencial permite captar sinais que nenhum algoritmo ou câmera consegue reproduzir fielmente: a firmeza do aperto de mão, a energia na voz sem compressão de áudio, a linguagem corporal completa. Em ambientes virtuais, conexões instáveis, iluminação precária e o simples nervosismo diante de uma câmera podem transformar um candidato brilhante em uma presença apagada na tela — e custar a ele uma oportunidade que merecia.

Para as empresas, o risco é concreto: processos seletivos que privilegiam a performance digital podem estar sistematicamente descartando perfis com alto potencial, enquanto aprovam candidatos habilidosos em se apresentar virtualmente, mas sem a substância esperada para o cargo. O equilíbrio entre eficiência operacional e qualidade da avaliação humana virou um dos grandes desafios do RH contemporâneo.

A tendência que desponta entre organizações mais atentas é a adoção de modelos híbridos: triagens iniciais por vídeo, seguidas de etapas presenciais para os finalistas. Essa abordagem tenta preservar a agilidade do digital sem abrir mão da riqueza de uma interação face a face. No fim das contas, contratar bem ainda depende de olhar nos olhos — mesmo que seja só na última rodada.

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