O sonho de economizar no estacionamento do aeroporto virou pesadelo para um número crescente de viajantes. Empresas não autorizadas — muitas delas operando apenas por aplicativos ou redes sociais, sem endereço fixo e sem qualquer credenciamento — continuam atraindo clientes com preços significativamente abaixo dos praticados pelos operadores oficiais. O problema é que, ao retornar das férias ou de viagens de negócios, parte desses clientes encontra o carro em condições bem diferentes das que o deixaram: arranhões na lataria, interior empoeirado, quilometragem maior do que o esperado ou, em casos mais graves, itens furtados do interior do veículo.
O modelo de negócio desses serviços clandestinos é simples e, por isso mesmo, difícil de combater. O cliente entrega as chaves em algum ponto próximo ao aeroporto, o carro é levado para um local desconhecido — frequentemente um terreno sem vigilância ou uma garagem improvisada — e devolvido quando o passageiro desembarca. Não há contrato formal, o seguro não cobre sinistros ocorridos nessas circunstâncias e, na maioria das vezes, a empresa some ao menor sinal de reclamação. Para as seguradoras, trata-se de um cenário de altíssimo risco que o consumidor assume sem plena consciência.
Autoridades de aviação civil e associações de defesa do consumidor em diversos países têm emitido alertas recorrentes sobre os riscos desse tipo de serviço, mas a demanda não arrefece. Especialistas apontam que o principal fator é o preço: em aeroportos movimentados, a diferença entre um estacionamento oficial e um operador irregular pode chegar a 60% ou 70% para estadias de uma semana. Num contexto de pressão sobre o orçamento das famílias, a economia imediata fala mais alto do que o risco abstrato de um dano futuro.
Do ponto de vista empresarial, a proliferação desses serviços representa concorrência desleal para os operadores licenciados, que arcam com custos de infraestrutura, seguros, pessoal treinado e taxas aeroportuárias. "É impossível competir em preço com quem não tem nenhuma dessas despesas", resume um executivo do setor ouvido pela reportagem. A digitalização facilitou ainda mais a vida dos clandestinos: basta uma conta em rede social, um número de WhatsApp e boas avaliações forjadas para parecer um negócio legítimo.
Para quem precisa deixar o carro durante uma viagem, a recomendação dos especialistas é direta: priorize estacionamentos credenciados pelo próprio aeroporto, verifique se a empresa possui CNPJ ativo e endereço físico comprovável, leia o contrato com atenção e fotografe o veículo antes de entregá-lo. Pagar um pouco mais por tranquilidade, nesse caso, costuma ser o melhor negócio.