Um acompanhamento de longo prazo com 251 crianças em Vellore, na Índia, trouxe um retrato preocupante da nutrição infantil em áreas urbanas de baixa renda. Ao chegar à idade escolar, parte delas ainda vive com magreza persistente, mas outra parcela já passa a apresentar sobrepeso e obesidade em ritmo acelerado.
O dado mais chamativo do estudo é que, entre os 7 e os 9 anos, a prevalência de excesso de peso quase triplicou. Isso reforça um problema cada vez mais comum em países em transição nutricional: a chamada dupla carga da má nutrição, quando a falta de peso e o excesso de peso coexistem no mesmo território, na mesma comunidade e, às vezes, dentro da mesma família.
Na prática, esse tipo de cenário costuma refletir uma combinação de fatores: alimentação barata, mas pobre em qualidade; menor acesso a refeições equilibradas; mudança nos hábitos urbanos; e redução da atividade física. Para as crianças, o resultado pode ser um começo de vida já marcado por riscos diferentes, que vão da dificuldade de crescimento adequado ao aumento da chance de doenças metabólicas no futuro.
O estudo de Vellore chama atenção porque mostra que combater a desnutrição não significa olhar apenas para a falta de comida. Também é preciso enfrentar a má qualidade da dieta e o avanço do ganho de peso precoce. Em outras palavras, a saúde infantil depende menos de comer muito ou pouco e muito mais de comer melhor, com regularidade, variedade e acesso real a alimentos nutritivos.