Se você assistiu ao clássico Onze Homens e um segredo, sabe como a engrenagem funciona: George Clooney (Danny Ocean) junta os maiores especialistas do planeta — o cara dos disfarces, o mestre dos explosivos, o acrobata — para realizar uma missão impossível em Las Vegas (EUA).
Guardadas as devidas proporções (e a legalidade, claro), o novo presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, acaba de vestir o terno de Danny Ocean.
Nesta quinta-feira (9), o banco central norte-americano revelou os detalhes da força-tarefa que vai ajudar a repensar a política monetária norte-americana.
Em vez de 11, Warsh convocou 15 mentes brilhantes divididas em 5 esquadrões independentes. A ideia é invadir o cofre das velhas premissas do banco central mais poderoso do mundo e modernizar tudo.
E o Brasil não ficou de fora dessa. Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central do Brasil e fundador da Gávea Investimentos, foi escalado para o time principal.
EUA: O esquadrão de Kevin Warsh
Para o investidor pessoa física, isso importa (e muito): o que esse grupo decidir vai ditar o ritmo dos juros nos EUA, do dólar e, consequentemente, dos seus investimentos.
O Seu Dinheiro listou as cinco equipes de especialistas e a função de cada uma nesse plano:
1. O esquadrão da Comunicação
A missão aqui é revisar como o Fed conversa com o mercado em tempos de incerteza. Afinal, uma palavra mal interpretada do banco central norte-americano pode derreter bolsas no mundo inteiro.
Armínio Fraga entra com a experiência de quem já pilotou o BC brasileiro em mar revolto, e junto com ele estarão também Peter R. Fisher (Universidade de Washington) e Mervyn King (ex-governador do Banco de Inglaterra).
2. O esquadrão do balanço patrimonial
Essa força-tarefa vai examinar os prós e contras do gigantesco balanço do Fed — a dinheirama que o banco central norte-americano injeta ou retira do mercado.
Os responsáveis por essa revisão serão Karen Dynan (Harvard), Raghuram Rajan (Universidade de Chicago e ex-BC da Índia) e Jeremy Stein (Harvard e antigo membro da diretoria do Fed).
3. O esquadrão dos dados
A função desse grupo é melhorar a qualidade e a velocidade dos sinais econômicos reais: fazer o Fed parar de olhar pelo retrovisor e reagir mais rápido ao que acontece no varejo e na rua.
Para isso, o banco central norte-americano conta com a expertise de Raj Chetty (Harvard), Doug McMilon (ex-CEO do Walmart, que deve contribuir com dados de consumo real) e Kevin Murphy (Universidade de Chicago).
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“Se acham que estamos satisfeitos com inflação acima de 2%, vão se decepcionar”. O recado de quem decide os juros ao redor do mundo para os investidores
4. O esquadrão de produtividade e emprego
Esse time vai avaliar o impacto real das novas tecnologias — leia-se inteligência artificial — no mercado de trabalho e na economia dos EUA.
Essa tarefa ficará a cargo de Marc Andreessen (lenda do Vale do Silício, cofundador da Andreessen Horowitz), Charles I. Jones (Stanford e atualmente licenciado na Anthropic, rival da OpenAI, dona do ChatGPT) e Asha Sharma (vice-presidente executiva e CEO do XBOX na Microsoft).
5. O esquadrão do arcabouço de inflação
Essa força-tarefa tem uma missão mais espinhosa: revisitar como o Fed entende e reage aos motores da inflação. Para isso, Warsh chamou até Prêmio Nobel.
Greg Mankiw (Harvard e autor do manual de economia que quase todo economista leu), Thomas Sargent (Universidade de de Nova York e prêmio Nobel de Economia) e William White (C.D. Howe Institute e x-consultor econômico do BIS, o Banco de Compensações Internacionais) The post EUA escalam Armínio Fraga — e até um Nobel de Economia — para construir um novo banco central appeared first on Seu Dinheiro.