Ex-Ambev criam bebida proteica e querem faturar R$ 1M até 2027
Da esquerda para a direita: Frederico Zillig, CEO da Zuzzi; Natália Aly Claro, responsável pelas áreas de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) e Supply; e Dudu Godinho, líder de Marketing e Comunidade da startup (Imagem: Divulgação/Zuzzi)
Nem supermercado, nem investimento pesado em anúncios. Para lançar a Zuzzi, marca de bebidas proteicas criada por dois ex-funcionários da Ambev, o caminho escolhido foi outro: apostar no modelo D2C (direct-to-consumer), reunir uma comunidade no WhatsApp, mostrar os bastidores da empresa nas redes sociais e usar o TikTok Shop como canal de vendas. A estratégia, pouco convencional para o setor de bebidas, parece estar dando resultado.
Segundo Frederico Zillig, co-fundador e CEO da Zuzzi, o primeiro lote da startup esgotou em menos de 12 horas e, três meses após seu lançamento no mercado, a empresa já vendeu cerca de 6,5 mil latas. Agora, a meta é faturar R$ 1 milhão até maio de 2027.
A Zuzzi também nasceu sem investidores externos. Até agora, a startup foi estruturada em modelo bootstrap, com cerca de R$ 160 mil em capital próprio aportados pelo fundador, sendo R$ 60 mil destinados ao desenvolvimento da marca e do lote piloto e outros R$ 100 mil investidos na ampliação da produção. Apesar de ter afirmado, em entrevista ao Startups, que a operação já consegue “andar com as próprias pernas”, Frederico não descarta buscar capital nos próximos meses para acelerar o crescimento da empresa.
A startup pretende estruturar ainda em 2026 uma rodada Seed para investir na ampliação da capacidade produtiva, expansão do portfólio e aceleração da entrada no varejo físico.
“A gente acredita que já validou a tese. Uma captação não seria para provar que o negócio faz sentido, mas para acelerar o processo de distribuição”, diz o fundador.
Proteína saudável
A ideia de criar a Zuzzi começou a tomar forma fora do ambiente corporativo. Consumidor frequente de bebidas proteicas, Frederico acreditava estar fazendo uma escolha saudável até ouvir o contrário durante uma consulta com uma nutricionista.
Na época, a profissional alertou que, apesar dos produtos ajudarem a atingir a meta diária de proteína, muitos deles continham ingredientes que não condiziam com uma alimentação equilibrada. “Não é porque tem proteína que é saudável”, relembra o empreendedor.
A percepção encontrou terreno fértil na experiência acumulada por Frederico como gerente de marketing na Ambev, onde atuou por quase cinco anos em projetos de inovação, e na parceria com Natália Aly Claro, que dedicou 15 anos à companhia na área de pesquisa e desenvolvimento.
Juntos, decidiram criar uma bebida proteica diferente das opções tradicionais: leve, refrescante, não láctea e feita com ingredientes naturais. Para completar o time, convidaram o criador de conteúdo Dudu Godinho, que entrou como sócio para liderar a construção da comunidade e da marca desde o início, em vez de apenas participar como influenciador contratado.
Bebida “Brisa Tropical”, da Zuzzi (Imagem: Divulgação/Zuzzi)
Hoje, com apenas três meses de mercado, a Zuzzi comercializa apenas um produto: a Brisa Tropical, bebida proteica gaseificada com 15 gramas de proteína, 70 calorias, zero açúcar e ingredientes naturais. Em vez do tradicional soro do leite, a startup utiliza proteína de colágeno. Como o colágeno, por si só, não reúne todos os aminoácidos essenciais nas quantidades consideradas ideais, a empresa adicionou à fórmula uma combinação de aminoácidos essenciais para complementar a composição nutricional da bebida.
Frederico também afirma que a possibilidade de lançar uma bebida sem proteína de origem animal está no radar da empresa. Segundo ele, a equipe já estuda alternativas como proteínas vegetais e de levedura, mas ainda enfrenta desafios técnicos para manter o perfil sensorial da bebida. “É uma tendência que a gente acompanha de perto. Recebemos muitas sugestões nesse sentido e estamos avaliando novas matérias-primas, mas isso exige bastante pesquisa e desenvolvimento”, finaliza.
Atualmente, a Zuzzi terceiriza a produção, fabricando a bebida em uma vinícola em São Roque, no interior de São Paulo.
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