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Excesso de açúcar no sangue pode acelerar envelhecimento do cérebro, indica estudo

Redação Recifes
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Excesso de açúcar no sangue pode acelerar envelhecimento do cérebro, indica estudo
Foto: Polina Tankilevitch / Pexels

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Jilin e da Universidade Médica da China identificou uma associação entre níveis elevados de glicose (um tipo de açúcar) no sangue e um envelhecimento cerebral mais acelerado. A pesquisa foi publicada no periódico Molecular Psychiatry no final de junho.

A investigação utilizou informações do UK Biobank, reunindo exames de imagem do cérebro, dados genéticos e análises metabólicas de dezenas de milhares de participantes. Com o apoio de inteligência artificial, os cientistas estimaram a idade biológica do cérebro e compararam esse resultado com a idade cronológica de cada pessoa.

Os resultados apontam que concentrações mais altas de glicose podem representar um fator modificável relacionado ao envelhecimento cerebral e a um maior risco de doenças que afetam a função do cérebro, além de reforçar a importância de estratégias voltadas à preservação da saúde cerebral ao longo da vida.

Inteligência artificial ajudou a identificar marcadores do envelhecimento cerebral

Sistema de inteligência artificial – Imagem: Junayed graphics/Shutterstock

Para compreender quais fatores biológicos influenciam o envelhecimento do cérebro, os pesquisadores recorreram ao banco de dados do UK Biobank, que reúne informações de saúde, genética e exames de imagem de milhares de pessoas. A partir desses registros, foram extraídas características estruturais do cérebro, como volumes de regiões específicas e alterações detectadas por ressonância magnética.

Esses dados serviram para treinar modelos de aprendizado de máquina capazes de estimar a idade do cérebro de cada participante. Entre as abordagens testadas, um modelo estatístico do tipo LASSO apresentou o melhor desempenho, alcançando erro médio de 3,26 anos nas previsões.

Depois dessa etapa, os pesquisadores calcularam a diferença entre a idade estimada do cérebro e a idade real dos participantes, indicador conhecido como “brain age gap”. Em seguida, compararam esse resultado com informações obtidas por meio de análises metabólicas realizadas em amostras de sangue.

A comparação revelou nove metabólitos associados ao envelhecimento cerebral. Entre eles, a glicose apresentou a relação mais forte. Pessoas com níveis mais elevados dessa substância no sangue exibiam, com maior frequência, cérebros que aparentavam ser biologicamente mais velhos do que sua idade cronológica.

(Imagem: Pedro Spadoni via ChatGPT/Olhar Digital)

Conforme os autores descrevem no artigo científico, a combinação de exames de imagem, análises metabólicas e dados genéticos permitiu identificar marcadores relacionados ao envelhecimento cerebral e investigar se havia uma possível relação causal entre esses fatores.

“Integramos neuroimagem multimodal, metabolômica plasmática e dados genômicos do UK Biobank para identificar marcadores metabólicos do envelhecimento cerebral e avaliar sua relevância causal“, explicaram os pesquisadores Zhirong Li, Yating Miao e demais autores no artigo publicado na revista Molecular Psychiatry.

Além da associação com o envelhecimento do cérebro, a pesquisa encontrou relação entre níveis mais altos de glicose e maior probabilidade de ocorrência de sete doenças que comprometem o funcionamento cerebral. Entre elas estão demência, doença de Alzheimer, demência vascular, doença de Parkinson, acidente vascular cerebral, depressão e ansiedade.

Os dados também indicaram que concentrações elevadas de glicose estavam ligadas a um pior desempenho cognitivo, redução da capacidade de movimento, piores indicadores de saúde mental e diminuição do volume de diversas regiões do cérebro.

Na avaliação dos autores, os resultados sugerem que o metabolismo da glicose pode representar um alvo importante para futuras estratégias de prevenção. “Essas descobertas implicam o metabolismo da glicose como uma via modificável no envelhecimento cerebral, com implicações para estratégias de intervenção precoce destinadas à preservação da saúde cerebral ao longo da vida“, disseram no artigo científico. O post Excesso de açúcar no sangue pode acelerar envelhecimento do cérebro, indica estudo apareceu primeiro em Olhar Digital.

Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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