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Existe mesmo “cara de Ana” ou “cara de João”? Estudo responde

Redação Recifes
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Existe mesmo “cara de Ana” ou “cara de João”? Estudo responde
Foto: Rafaah Machado / Pexels

Você já olhou para alguém e pensou que ela tinha “cara de Ana”, “cara de João” ou de algum outro nome? Embora a associação pareça apenas uma impressão subjetiva, um estudo indica que pode existir uma relação entre o nome recebido ao nascer e a aparência desenvolvida ao longo da vida.

Publicado em 2024 na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, o trabalho reuniu experimentos com adultos, crianças e inteligência artificial (IA). Os pesquisadores descobriram que participantes conseguiam associar rostos de adultos aos nomes corretos com uma frequência superior à esperada pelo acaso — algo que não ocorreu quando as imagens mostravam crianças.

Os resultados sugerem que as pessoas não nascem necessariamente com características que combinam com seus nomes. Em vez disso, a aparência poderia mudar gradualmente ao longo dos anos em resposta a expectativas sociais e estereótipos associados à forma como cada pessoa é chamada.

Segundo os autores, esse processo funcionaria como uma espécie de profecia autorrealizável: após conviver por anos com as expectativas relacionadas ao próprio nome, uma pessoa poderia desenvolver características que a aproximam da imagem socialmente associada a ele.

Adultos parecem combinar mais com seus nomes

Na primeira etapa do estudo, crianças e adultos receberam imagens de rostos e precisaram relacioná-las a possíveis nomes. Os dois grupos conseguiram identificar os nomes de pessoas adultas com uma taxa de acerto consideravelmente superior ao que seria esperado pelo acaso.

O mesmo resultado, porém, não foi observado quando as imagens mostravam crianças. Os participantes não conseguiram associar de forma consistente os rostos infantis aos nomes corretos.

Para os pesquisadores, a diferença sugere que as pessoas não nascem com características físicas relacionadas aos próprios nomes. Essa correspondência passaria a surgir à medida que envelhecem e convivem por mais tempo com as expectativas associadas à forma como são chamadas.

Um sistema de aprendizado de máquina também foi utilizado para comparar semelhanças e diferenças entre os rostos analisados. A tecnologia identificou representações faciais mais parecidas entre adultos que compartilhavam o mesmo nome do que entre pessoas com nomes diferentes.

Entre as crianças, no entanto, o padrão não se repetiu. Rostos infantis de participantes com o mesmo nome não apresentaram grau semelhante de correspondência.

Envelhecimento artificial não reproduziu o efeito

Em outro experimento, os pesquisadores envelheceram artificialmente imagens de crianças para simular como elas poderiam parecer na fase adulta. Mesmo diante das versões modificadas, os participantes não conseguiram relacionar corretamente os rostos aos nomes.

O sistema de aprendizado de máquina chegou a uma conclusão semelhante. As características dos rostos envelhecidos artificialmente de crianças com o mesmo nome não apresentaram correspondência acima do nível esperado pelo acaso.

A diferença entre adultos reais e imagens modificadas reforçou a hipótese de que o efeito não seria resultado apenas do envelhecimento natural. Segundo os pesquisadores, a aparência poderia ser moldada ao longo da vida pela convivência com rótulos, expectativas e estereótipos sociais.

Expectativas sociais podem influenciar a aparência

A autora do estudo, Dra. Yonat Zwebner, afirmou que a pesquisa evidencia o impacto mais amplo das expectativas sociais. De acordo com ela, os resultados indicam que a chamada estruturação social pode ser suficientemente forte para afetar a aparência de uma pessoa.

O conceito descreve a influência que classificações, rótulos e estereótipos podem exercer sobre o desenvolvimento físico e psicológico. Embora esse efeito já tivesse sido proposto anteriormente, os pesquisadores destacam que medir sua intensidade permanecia um desafio.

Segundo Zwebner, as descobertas também podem indicar como características pessoais consideradas mais significativas do que os nomes, como gênero ou etnia, influenciam quem as pessoas se tornam ao crescer.

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Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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