Em Nova York, um festival está canalizando a frustração de uma geração criada entre aplicativos, notificações e plataformas dominantes. O Summer of Ludd reúne jovens e curiosos para debater o impacto do Big Tech no cotidiano e, principalmente, mostrar que viver com menos dependência digital é possível.
Mais do que um evento de protesto, a proposta funciona como uma espécie de laboratório de vida offline. Ao longo das atividades, participantes aprendem estratégias simples para reduzir o tempo diante das telas, rever hábitos de consumo de informação e recuperar espaços de atenção que foram tomados pela lógica das plataformas.
O nome faz referência ao ludismo, movimento histórico de resistência à automação, mas o clima atual é menos nostálgico e mais prático. Em vez de defender a rejeição total à tecnologia, o festival questiona a forma como ferramentas digitais passaram a organizar trabalho, sociabilidade e até o ritmo emocional de muita gente.
Ao atrair especialmente a Geração Z, o encontro mostra que o cansaço com o ambiente digital não é um capricho passageiro. Ele expressa um incômodo mais amplo com a concentração de poder nas grandes empresas de tecnologia e com a sensação de que estar sempre conectado deixou de ser escolha para virar obrigação.