Flávio Bolsonaro viajou aos Estados Unidos para atuar em uma audiência pública em que pretende questionar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A movimentação ocorre num momento em que a medida de Donald Trump voltou a colocar o bolsonarismo no centro da crise comercial entre os dois países.
Nos bastidores, a ida do senador é lida como uma tentativa de atenuar o desgaste político provocado pela vinculação do tarifaço ao ambiente criado em torno de Jair Bolsonaro. Desde que Trump passou a usar o caso do ex-presidente brasileiro como parte de sua retórica, a disputa deixou de ser apenas econômica e ganhou contornos abertamente políticos.
A estratégia de Flávio combina defesa comercial e reposicionamento de imagem. Ao levar a discussão para uma audiência pública, ele tenta sustentar que a sobretaxa prejudica exportadores, produtores e empregos no Brasil, ao mesmo tempo em que busca afastar a família Bolsonaro da percepção de que teria influenciado a decisão americana.
O episódio reforça como a tensão entre Brasil e Estados Unidos passou a misturar comércio exterior, disputa institucional e cálculo eleitoral. Em vez de funcionar apenas como resposta a barreiras econômicas, o tarifaço se transformou em mais um capítulo da batalha por narrativa em torno do bolsonarismo e de seus efeitos sobre a relação bilateral.