Centenas de milhares de pessoas foram às ruas de Teerã neste sábado para o início do funeral de Ali Khamenei, em uma cerimônia que deve se estender por vários dias e que rapidamente se tornou também um termômetro político do Irã.
Apesar da força visual da mobilização, a presença maciça de simpatizantes não significa consenso nacional. Para a jornalista e pesquisadora Tara Kangarlou, autora de The Heartbeat of Iran, o público que apareceu em peso é formado, em grande medida, por correntes mais endurecidas e leais ao sistema, o que limita a leitura do evento como retrato fiel da opinião pública iraniana.
Esse contraste ajuda a entender a distância entre a encenação de unidade em torno de uma figura central do poder e o sentimento de parte relevante da população, que vive entre restrições políticas, tensões sociais e desconfiança em relação às instituições do regime.
Em momentos como esse, o funeral ultrapassa o rito religioso e passa a funcionar como demonstração de força, disputa de narrativa e tentativa de reafirmar a autoridade do establishment. A dimensão da cerimônia em Teerã, portanto, diz tanto sobre a capacidade de mobilização do poder quanto sobre as fissuras que continuam a marcar a sociedade iraniana.