O brasileiro que abastecer o carro a partir deste sábado, 1º de agosto, vai encontrar uma gasolina diferente nos postos — ao menos na composição. Por determinação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o percentual obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina comum sobe de 30% para 32%, em uma medida que terá vigência inicial de 180 dias, com possibilidade de uma prorrogação por igual período. A decisão foi formalizada em 14 de julho e reflete um movimento estratégico do governo para equilibrar variáveis do mercado de combustíveis e do setor sucroalcooleiro.
Do ponto de vista econômico, o aumento da participação do etanol na gasolina tende a favorecer a cadeia produtiva da cana-de-açúcar, que pressiona por maior espaço no mercado interno diante das oscilações de preço do açúcar no mercado externo. Para o consumidor final, o efeito prático pode ser uma discreta redução no preço do litro da gasolina — já que o etanol é historicamente mais barato que a fração de petróleo que ele substitui —, mas especialistas alertam que esse repasse nem sempre chega de forma imediata às bombas. Distribuidoras e revendedores tendem a absorver parte da margem antes de repassar qualquer benefício.
No campo técnico, a elevação de dois pontos percentuais na mistura é considerada segura para a frota nacional, que já opera com blends de até 27,5% (gasolina aditivada) a 30% (gasolina comum) há anos. Motores flex-fuel modernos estão calibrados para trabalhar com amplas variações de etanol, sem necessidade de ajustes. Ainda assim, donos de veículos mais antigos — especialmente modelos a gasolina pura ou importados sem certificação para combustíveis com alto teor alcoólico — devem consultar o manual do fabricante ou um mecânico de confiança para verificar a compatibilidade de componentes como juntas, mangueiras e o sistema de injeção.
Um ponto de atenção para todos os motoristas é o consumo: o etanol possui poder calorífico inferior ao da gasolina pura, o que significa que misturas com maior concentração alcoólica tendem a resultar em um leve aumento no consumo de combustível por quilômetro rodado. A variação esperada com a mudança de 30% para 32% é marginal — estimada em menos de 1% —, mas em frotas de alto kilometragem, o impacto acumulado pode ser perceptível ao longo dos meses. Manter a calibragem dos pneus em dia e evitar o motor ocioso são medidas simples que ajudam a compensar qualquer variação.
A medida também reacende o debate sobre a política de biocombustíveis no Brasil e o papel do RenovaBio — programa federal de descarbonização do setor de transportes — na definição das metas de mistura. Com o aumento para 32%, o país reforça sua posição como um dos maiores consumidores de biocombustíveis do mundo, ao mesmo tempo em que sinaliza ao mercado a intenção de usar a flexibilidade da mistura como instrumento de política energética. Para o setor sucroenergético, a notícia chega como um alento em um momento de incerteza quanto aos preços internacionais.