O recado de um dos gestores do Blue Whale Growth Fund é direto: em vez de tentar adivinhar o próximo discurso do mercado sobre inteligência artificial, ele preferiu observar para onde o capital estava indo. Com essa leitura, aumentou posições em Nvidia e SK Hynix e reduziu exposição a empresas de software antes de muitos concorrentes.
A estratégia reflete uma visão pragmática sobre a nova fase da IA. Na avaliação do gestor, o entusiasmo com a tecnologia não se distribui de forma uniforme entre todos os setores: há companhias que capturam a maior fatia dos investimentos em infraestrutura, chips e memória, enquanto outras podem sentir pressão sobre suas margens e seu poder de precificação.
Ao apostar em Nvidia e SK Hynix, o fundo buscou se posicionar nas etapas mais visíveis e monetizáveis da onda de IA. A Nvidia continua como uma das principais fornecedoras de processadores para treinamento e operação de modelos avançados, enquanto a SK Hynix se beneficia da demanda por memória de alta performance, componente essencial para data centers e aplicações intensivas em dados.
Já a saída antecipada de ações de software sugere cautela com a ideia de que toda empresa exposta à IA será automaticamente vencedora. Para o gestor, a vantagem competitiva neste momento está menos em slogans sobre inovação e mais em identificar quais negócios realmente recebem o orçamento das grandes plataformas e dos clientes corporativos.
No fundo, a mensagem é simples e útil para investidores: quando uma tese vira megatendência, a pergunta central deixa de ser apenas quem fala sobre ela e passa a ser quem ganha com ela. Em IA, como em outras viradas de ciclo, seguir o dinheiro pode ser mais revelador do que seguir o discurso.