Para o Google, o Brasil deixou de ser apenas um mercado consumidor de tecnologia para se tornar uma verdadeira fonte de inovação. Durante o Demo Day, que aconteceu nesta quinta-feira (16) em São Paulo, Henry Couto, Head do Google for Startups Accelerator, definiu o país como a “galinha dos ovos de ouro” para a big tech. Isso porque startups brasileiras têm demonstrado capacidade de criar soluções competitivas mesmo em um mercado onde o acesso a capital é mais difícil.
Segundo o executivo, em uma mesa redonda com a imprensa durante evento, empreendedores brasileiros desenvolveram uma cultura de eficiência por precisarem enfrentar um custo de capital muito superior ao de mercados como os Estados Unidos. “Empreender no Brasil é difícil. O dinheiro aqui é caro, temos 15% de juros. Lá fora o dinheiro é mais barato, tem mais acesso a capital. O pessoal lá fora põe dinheiro em ideias em PowerPoint. Aqui, você tem que estar com receita, tem que estar dando lucro”, disse.
Esse perfil faz com que as startups nacionais consigam construir tecnologias de alto nível com estruturas mais enxutas, um diferencial que levou o Google a priorizar o Brasil na busca por startups com potencial global para futuras oportunidades de investimento.
Como o Google aposta nas startups brasileiras
Uma das principais iniciativas para aproximar a empresa do ecossistema brasileiro é o Google for Startups Accelerator. No Brasil desde 2016 e com duração de 10 semanas em cada edição, o programa reúne startups em estágio de crescimento para receber mentorias, acesso a especialistas da companhia e conexões com diferentes áreas do Google.
Ainda de acordo com Henry, o objetivo não é apenas acelerar o desenvolvimento das empresas durante esse período, mas estabelecer um relacionamento de longo prazo com os fundadores.
“Esse contato é para sempre, mesmo com o encerramento da aceleração. Inclusive, uma pessoa que participou do programa em 2016 me procurou recentemente para pedir ajuda. Então, estamos sempre disponíveis para ajudá-los, independentemente do que eles precisarem”, complementa.
O profissional ressalta, porém, que participar do programa não representa um caminho direto para investimentos ou aquisições pelo Google. Apesar do Waze (adquirido pela Google em 2013) ser um dos principais casos de sucesso do ecossistema global da empresa, Henry afirma que o Accelerator não foi criado para selecionar futuras aquisições, mas para apoiar startups na evolução de seus produtos e ampliar sua conexão com a rede do Google.
Ainda assim, o interesse da big tech pelo mercado brasileiro tem aumentado. Pela primeira vez, o Google passou a contar com um fundo voltado a empresas nacionais, em parceria com a Monashees, ampliando as oportunidades para startups locais.
“É a primeira vez em 11 anos de Google que vejo que o interesse pelo Brasil realmente aconteceu. Vamos fazer essa parceria com a Monashees para começar, selecionar cinco startups para gente começar essa questão de investir, e de, quem sabe, comprar uma empresa no Brasil”, anuncia Henry.
Anunciado em junho deste ano, o Gama Fund vai investir até US$ 10 milhões em startups AI-native no Brasil, em estágio pré-Seed ou Seed, em que a IA é estrutural ao produto. Os cheques serão de US$ 2 milhões por startup. Além do aporte, haverá suporte técnico, mentoria, imersão internacional e até US$ 350 mil em créditos do Google Cloud.
Como participar do Google for Startups Accelerator
As inscrições para o Google for Startups Accelerator são abertas por meio do site e dos canais oficiais da empresa. Para participar, as startups precisam atender a alguns critérios mínimos, como já ter clientes, ter recebido ao menos um investimento e apresentar um projeto baseado em inteligência artificial, tema desta edição e, possivelmente, também das próximas.
A seleção também leva em consideração o perfil dos fundadores, o impacto do negócio e a complexidade técnica do projeto apresentado. Conforme Henry, esses requisitos ajudam a validar que o negócio já encontrou espaço no mercado e possui potencial para aproveitar a aceleração oferecida pelo programa.
De acordo com o executivo, o Google busca empreendedores engajados e capazes de desafiar tecnologicamente as soluções da companhia, além de startups com potencial para gerar casos de sucesso. As turmas são realizadas semestralmente, mas a data do próximo ciclo ainda não foi divulgada pela empresa.
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