O Google adiou o lançamento do Gemini 3.5 Pro, seu modelo de inteligência artificial mais avançado, enquanto tenta melhorar principalmente recursos de programação. O atraso aumentou a preocupação interna sobre a capacidade da empresa de acompanhar rivais como OpenAI e Anthropic.
Segundo a Bloomberg, funcionários e pesquisadores avaliam que a demora acontece em um momento em que novos modelos de IA avançam rapidamente e mudam a disputa entre as grandes empresas de tecnologia.
Novo Gemini passa por ajustes antes do lançamento
O Gemini 3.5 Pro deveria representar um salto importante para o Google, mas a empresa decidiu ampliar o período de desenvolvimento para aprimorar suas capacidades, principalmente na criação e análise de códigos.
Funcionários atuais e antigos ouvidos pela Bloomberg afirmam que a companhia enfrenta dificuldades para alinhar diferentes áreas envolvidas em inteligência artificial. Equipes do Google DeepMind, Google Cloud e outros departamentos trabalham em soluções próprias, o que pode tornar decisões e lançamentos mais lentos.
A empresa também precisa integrar a tecnologia a produtos amplamente usados, como busca, mapas e YouTube.
Em comunicado, um porta-voz do Google afirmou: “Estamos enviando rapidamente uma ampla variedade de modelos, mantendo-os altamente econômicos para os clientes”.
Programação vira uma das principais batalhas da IA
O desenvolvimento de ferramentas capazes de gerar código se tornou uma prioridade no setor. Dentro do Google, porém, a concentração de esforços ainda enfrenta obstáculos.
Entre os principais desafios estão:
- Disputa interna por capacidade de processamento;
- Ferramentas de IA criadas por equipes diferentes;
- Receios anteriores sobre vazamento de códigos proprietários;
- Equilíbrio entre velocidade, segurança e padrões internos.
O Google afirma que avançou no uso da tecnologia dentro da própria empresa. Segundo a companhia, 75% do código produzido atualmente é gerado com auxílio de IA, revisado por funcionários e aprovado antes de chegar aos produtos.
Google tenta recuperar ritmo diante dos concorrentes
Desde o lançamento do ChatGPT, no fim de 2022, o Google acelerou seus esforços em inteligência artificial e declarou um “código vermelho” para reduzir barreiras internas e responder ao avanço da tecnologia.
Mesmo assim, funcionários dizem que a empresa ainda enfrenta disputas internas por recursos e prioridades. Pesquisadores apontam que o Gemini tem como diferencial o acesso aos dados da busca do Google, enquanto Anthropic e OpenAI ganharam destaque com modelos considerados mais fortes em determinadas tarefas.
A insatisfação com a posição da empresa também contribuiu para a saída de pesquisadores para outros laboratórios, segundo ex-funcionários.
Enquanto aguardam o Gemini 3.5 Pro, clientes tiveram avaliações diferentes sobre o Gemini 3.5 Flash. Rodrigo Davies, gerente de produto da Figma, afirmou que o modelo encontrou um equilíbrio entre velocidade e qualidade.
Já Freddy Vega, CEO e fundador da Platzi, disse que a ferramenta ainda apresenta limitações em algumas tarefas e que sua equipe passou a utilizar o Claude 3.5 Sonnet, da Anthropic.
O desafio do Google agora não é apenas criar modelos mais avançados, mas transformar sua estrutura interna em uma vantagem competitiva em uma área onde velocidade e capacidade de adaptação se tornaram fatores decisivos.
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