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Governo Federal isenta kits desmontados de elétricos e gera racha com a indústria

Governo Federal isenta kits desmontados de elétricos e gera racha com a indústria
<p>O governo federal ampliou o alcance da política de isenção fiscal para veículos eletrificados, zerando o imposto de importação incidente sobre cotas de kits desmontados — os chamados conjuntos CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi-Knocked Down). A medida, publicada por meio de portaria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, estende um benefício que até então se concentrava em veículos acabados e passa a contemplar peças e subconjuntos que chegam ao Brasil para montagem local.</p><p>Na prática, quem sai na frente é a BYD. A montadora chinesa está em processo de implantação de sua planta industrial em Camaçari, na Bahia — o mesmo polo automotivo que por décadas abrigou a fábrica da Ford. Enquanto a linha de produção plena não está operando em capacidade total, a empresa depende justamente de kits semimontados importados da China para atender à crescente demanda do mercado brasileiro. Com a zeragem do tributo, o custo dessa operação de transição cai significativamente, dando à BYD um fôlego financeiro considerável.</p><p>O movimento, porém, não foi recebido com entusiasmo por toda a cadeia automotiva. A Anfavea, associação que reúne as montadoras com produção consolidada no país — como Toyota, Volkswagen, General Motors e Stellantis —, manifestou preocupação com o que considera um desequilíbrio competitivo. Para as fabricantes que já investiram bilhões em linhas de produção nacionais e cumprem índices de conteúdo local, a isenção para kits importados soa como uma vantagem assimétrica concedida a um concorrente que ainda não internalizou plenamente sua operação no Brasil.</p><p>O impasse revela uma tensão estrutural da política industrial brasileira: como incentivar a chegada de novas tecnologias e players globais sem desestimular quem já apostou no país? Especialistas do setor apontam que a medida pode ser defensável como instrumento de transição, desde que acompanhada de metas claras de nacionalização progressiva de peças e de um cronograma transparente para a retirada gradual do benefício. Sem essas salvaguardas, o risco é transformar uma exceção temporária em subsídio permanente para montagem de veículos com baixo adensamento produtivo local.</p><p>O mercado de elétricos e híbridos no Brasil cresce a ritmo acelerado, e a disputa por participação nesse segmento promete acirrar ainda mais o debate sobre regras do jogo. A BYD, por sua vez, reafirma o compromisso com a plena operação da fábrica baiana e projeta que, quando a planta atingir regime normal, a dependência de kits importados será progressivamente reduzida. Até lá, o governo terá de equilibrar o estímulo à eletrificação da frota com a preservação da confiança de quem já está produzindo em solo brasileiro.</p>
Artigo originalmente publicado em quatrorodas.abril.com.br
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