O Ibovespa subiu 3.400 pontos em um minuto nesta sexta-feira (10), mas o índice ainda está longe da performance do início do ano, quando encostou nos sonhados 200 mil pontos. E se você ainda espera uma enxurrada de dólares para embalar a bolsa brasileira, é melhor puxar o freio de mão.
Estudo do Bank of America (BofA) mostra que o investidor estrangeiro continua olhando para o Brasil e para a América Latina com uma boa dose de gelo.
Enquanto fundos dedicados à América Latina sofrem com a seca, mercados emergentes que respiram tecnologia estão operando como verdadeiros ímãs de capital.
A sangria continua (mas com um leve respiro)
Para entender o tamanho da debandada, precisamos olhar para o histórico recente. O investidor internacional não está ensaiando uma saída — ele já está com as malas prontas há três anos.
No acumulado de 2026, R$ 10 bilhões deixaram o mercado brasileiro, segundo cálculos do Bank of America. Embora o número assuste, o ritmo diminuiu na comparação com o passado recente, como mostra o histórico de saldo negativo:
2024: -R$ 30 bilhões
2025: -R$ 48 bilhões
2026 (YTD): -R$ 10 bilhões
Mas nem tudo foi tragédia. Recentemente, os fundos de ações no Brasil registraram uma entrada tímida de US$ 100 milhões. Parece pouco, mas quebra a tendência dolorosa do primeiro trimestre de 2026, quando o mercado sangrava, em média, R$ 600 milhões por semana.
Brasil não é o mocinho, mas lidera entre as ações de bancos na América Latina; saiba o que ter na carteira agora
S&P 500 ainda tem fôlego: mesmo após recordes, bolsa dos EUA é a principal aposta no exterior para o 2º semestre
O destino do dinheiro: a febre dos chips e da tecnologia
Se o dinheiro está saindo daqui, para onde ele vai? A resposta está na Ásia. Enquanto o Brasil e os vizinhos latinos ficam de escanteio, os mercados emergentes (excluindo a China) registraram uma entrada de US$ 3,3 bilhões em apenas uma semana.
O fluxo global está rotacionando pesadamente para países como Coreia do Sul e Taiwan. O motivo é simples: o investidor global está obstinado por inteligência artificial, semicondutores e tecnologia de ponta.
Diante desse banquete tecnológico, o cardápio da América Latina — focado majoritariamente em commodities e bancos — acaba perdendo o brilho.
Tesouro IPCA+ a 8%: mina de ouro ou bomba-relógio?
Cabo de guerra nas bolsas
Sem o fluxo estrangeiro pesado para inflar todas as ações sem distinção, o mercado brasileiro virou um jogo de escolhas cirúrgicas.
O impacto dessa escassez de dólar fica evidente quando analisamos dois filtros quantitativos acompanhados pelos analistas do BofA: as empresas de crescimento contra as empresas de valor.
As sete maravilhas (viés de crescimento)
Inspirada nas gigantes de tecnologia norte-americanas, esta cesta reúne empresas com forte tese de crescimento, digitalização ou eficiência: Mercado Livre, Nubank, Weg, BTG Pactual, Raia Drogasil, Localiza e Itaú.
Resultado: nadou contra a corrente e avançou 1% na semana.
2. As sete inesquecíveis (viés de valor)
Esta seleção é composta pelas velhas conhecidas do mercado, gigantes tradicionais e estatais focadas em valor e commodities: Petrobras, Vale, JBS, Banco do Brasil, Ambev, Bradesco e Gerdau.
Por serem papéis historicamente muito visados pelo investidor estrangeiro, eles sentem mais a falta do fluxo externo.
Resultado: sentiu o peso do desinteresse global e recuou 0,2% no mesmo período.
The post Gringos fogem do Brasil para duas bolsas na Ásia — e BofA revela a razão para isso appeared first on Seu Dinheiro.