A consultoria portuguesa Vide de Grunwald escolheu a cidade de Maringá, no Paraná, para ser o seu primeiro blue cluster no Brasil. A iniciativa busca transformar a região em um polo de inovação voltado à economia azul, conectando universidades, empresas, pesquisadores e investidores em torno de tecnologias relacionadas ao uso sustentável dos recursos hídricos.
O projeto será desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual de Maringá (UEM) e terá como ponto de partida o mapeamento das competências locais, seguido pela criação de uma estrutura de governança e, posteriormente, de um polo de inovação que deverá funcionar como uma aceleradora de negócios.
Para Pedro Bobião,fundador da Vide de Grunwald, o conceito de economia azul vai muito além de atividades ligadas ao mar ou aos rios. Segundo ele, trata-se de desenvolver soluções capazes de tornar o uso da água mais eficiente e sustentável, abrangendo áreas como biotecnologia, inteligência artificial, genética, veterinária, watertechs e foodtechs.
O executivo destaca três elementos fundamentais para o desenvolvimento de um blue cluster: capacidade de investimento, recursos e conhecimento. Foi justamente este último fator que levou à escolha de Maringá. A universidade é referência nacional no melhoramento genético de tilápias.
“O primeiro motivo foi o professor Ricardo Pereira, um dos maiores especialistas do mundo em genética de tilápia. O segundo foi a visão do reitor Leandro Vanalli, que entende que a universidade deve fazer parte da economia e transformar conhecimento em desenvolvimento”, diz Pedro, que acrescenta: “Melhorar a genética significa produzir peixes mais resistentes, que crescem mais e causam menos impacto aos sistemas hídricos. Isso também é economia azul”.
Diversidade regional
Fundada em meados de 2021 e 2022, a Vide de Grunwald tem como tese a ideia de que startups de economia azul não nascem em grandes centros de tecnologia, mas sim em regiões onde já existe um ecossistema em potencial, seja pela proximidade com mares e rios, ou pela atuação de centros de pesquisa, como é o caso de Maringá.
A expectativa, segundo Pedro, é que o cluster transforme Maringá em uma referência internacional no setor. Embora seja o primeiro projeto da consultoria no interior do país, a proposta tem alcance mais amplo.
“Não é apenas um projeto para Maringá. A cidade pode se tornar um ponto de referência para o Paraná, para o Brasil e para o mundo. Acreditamos na globalidade da economia azul e já estamos conversando com outras cidades para criar essas conexões”, afirma Pedro.
Em nota, o reitor Leandro Vanalli informou que a parceria vai permitir direcionar projetos institucionais, tanto de pesquisa e de extensão, juntamente com estudantes e pesquisadores, para a geração de ativos e de empresas de base tecnológica. “O Projeto Blue Cluster UEM-Maringá é uma importante inovação para a nossa universidade, sobretudo nas oportunidades que abrirá para que os projetos de inúmeras áreas possam ser associados à Economia Azul e se tornem transformadores sociais, com produção de riquezas para a sua comunidade e seus territórios”, disse.
A iniciativa faz parte da estratégia da Vide de Grunwald de implantar uma rede de blue clusters no Brasil, conectando diferentes regiões em torno da inovação voltada à economia azul. A consultoria já havia anunciado a intenção de desenvolver esse modelo no país, inspirado em experiências internacionais que aproximam universidades, empresas e governos para acelerar negócios ligados ao uso sustentável dos recursos hídricos.
“Entendemos que chegou o momento de materializarmos a geração de valor nos projetos de nossa universidade, uma oportunidade única para atrair startups e transferir o nosso conhecimento para uma área tão importante como a economia azul”, destacou o professor Ricardo Pereira, do curso de graduação em Zootecnia.
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