Os jogadores estão se tornando um dos novos alvos dos cibercriminosos. Aproveitando a confiança criada em comunidades online e plataformas como o Discord, hackers têm se passado por gamers para compartilhar links maliciosos que podem instalar malwares, roubar dados pessoais e até comprometer contas e dispositivos.
Segundo Mirella Kurata, fundadora e CEO da empresa de cibersegurança DMK3, esse tipo de golpe combina engenharia social e softwares maliciosos para explorar o comportamento dos usuários.
“As ameaças atuais costumam combinar automação com técnicas de engenharia social, transformando o comportamento humano na principal vulnerabilidade”, afirma a especialista.
Como funciona o golpe
De acordo com a DMK3, os criminosos entram em servidores de jogos populares, como Minecraft, VALORANT e League of Legends, e começam a interagir normalmente com outros jogadores.
Após conquistar a confiança da vítima, enviam links para supostos servidores, mods, plataformas ou programas de instalação automática. O objetivo é convencer o usuário a baixar um arquivo aparentemente legítimo, mas que instala um malware no computador.
Segundo Mirella Kurata, o golpe geralmente começa com um ataque de phishing.
“O phishing consiste no uso de conteúdos muito parecidos ou até idênticos às comunicações legítimas, permitindo a entrada do invasor no sistema. Já o malware é um software malicioso criado para invadir, danificar ou obter acesso indevido a sistemas e dados”, explica.
Caso real aconteceu após convite para jogar Minecraft
A empresa também relatou um caso ocorrido no fim de junho deste ano.
Segundo a vítima, que preferiu não ser identificada, ela foi convidada por um grupo de jogadores para disputar partidas de Minecraft utilizando mods. Durante a conversa no Discord, recebeu um link para baixar um suposto instalador automático.
Pouco tempo após executar o programa, o computador começou a apresentar comportamentos incomuns, como reprodução de áudios sem comando do usuário e consumo elevado de recursos do sistema.
Minutos depois, os invasores entraram em contato afirmando que haviam obtido acesso a dados pessoais, fotos, arquivos e diversas contas da vítima, com o objetivo de exigir um pagamento para devolver o acesso.
Como possuía conhecimentos em tecnologia, o usuário conseguiu agir rapidamente e impedir maiores prejuízos.
“O tempo de resposta é determinante e esse caso foi uma prova disso. Uma pessoa comum ou até uma criança talvez não tivesse a mesma sorte”, destaca Mirella Kurata.
Brasil está entre os principais alvos
Segundo a especialista, o Brasil figura entre os países com maior número de ataques digitais da América Latina e também se destaca como um polo de desenvolvimento de crimes cibernéticos.
Nesse cenário, comunidades de jogos acabam se tornando ambientes atrativos para criminosos devido ao grande número de usuários e ao clima de confiança entre os participantes.
Como proteger sua conta e seu computador
Para reduzir os riscos, a especialista recomenda algumas medidas de segurança:
- Evite abrir links, anexos ou arquivos enviados por desconhecidos;
- Mantenha o sistema operacional, navegador e antivírus sempre atualizados;
- Ative a autenticação em dois fatores sempre que possível;
- Evite utilizar redes Wi-Fi públicas para acessar contas importantes;
- Confira se os sites acessados são realmente oficiais antes de fazer downloads.
O que fazer se suspeitar de uma invasão
Caso o computador seja comprometido, a recomendação é agir rapidamente:
- Desconecte o dispositivo da internet;
- Faça uma varredura completa utilizando um antivírus confiável;
- Altere imediatamente as senhas das principais contas, começando pelo e-mail e pelos serviços financeiros;
- Avise seus contatos caso exista risco de comprometimento de suas contas;
- Registre um boletim de ocorrência, principalmente em casos de vazamento de dados ou prejuízo financeiro.
Segundo Mirella Kurata, investir em boas práticas de segurança digital é fundamental para reduzir os riscos.
“Cada incidente deve servir de aprendizado. Hoje, prevenir o cibercrime exige uma combinação de tecnologias, processos e educação, além de muita atenção e cuidado.”
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