Fernando Haddad intensifica o debate sobre segurança pública em São Paulo ao identificar um risco iminente: a consolidação de milícias nas regiões interioranas do estado. O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato do PT ao Palácio dos Bandeirantes estabelece uma conexão preocupante com o cenário fluminense, onde grupos paramilitares controlam territórios inteiros há décadas.
A análise de Haddad centra-se em um diagnóstico fundamental: onde o Estado recua, estruturas paralelas avançam. A redução da presença policial e da infraestrutura pública de segurança no interior paulista cria vácuos que facilitam a organização de grupos armados privados. Diferentemente do crime organizado tradicional, essas organizações milicianas se apresentam como alternativa de ordem, conquistando legitimidade social ao oferecerem proteção em territórios abandonados pelo poder público.
O alerta ganha relevância quando se observa a trajetória do Rio de Janeiro, onde milícias expandiram significativamente nos últimos anos, dominando morros e periferias que historicamente sofreram com a intermitência estatal. O modelo carioca demonstra como a fragilização da presença pública em segurança não elimina a demanda por controle territorial, apenas a redireciona para atores ilegais.
Para Haddad, reverter esse cenário exige mais que campanhas de policiamento pontual: demanda investimento robusto na permanência institucional. A questão deixa de ser apenas criminal para se tornar política, desafiando o próximo governo de São Paulo a escolher entre manutenção preventiva do Estado ou remediação custosa de um colapso já consolidado.