Valérie Cadier Adem, CMO da Hashdex | Foto: Divulgação Com o Bitcoin em trajetória de queda, os fundos de investimento em cripto têm precisado buscar cotistas fora da bolha mais familiarizada com esse universo. Para atrair essa audiência, a Hashdex decidiu apelar para um dos horários mais nobres da TV aberta brasileira: o intervalo do Fantástico, na TV Globo, aos domingos.
A gestora estreou no último domingo (28) uma campanha publicitária nesse horário para divulgar o HASH11, seu ETF de criptoativos. A campanha chega num momento em que o Bitcoin fechou o seu pior semestre desde 2022, com queda de 33% nos primeiros seis meses de 2026, e um recuo de cerca de 20% apenas em junho. No dia 30, a criptomoeda era negociada na casa dos US$ 58 mil.
“A gente já vinha pensando nessa campanha há alguns meses, antes dessa queda. Chegamos a pensar se valeria à pena sair com ela mesmo assim, mas entendemos que a Hashdex defende uma alocação estrutural em cripto. Então independentemente do momento de mercado, a nossa defesa é que cripto é parte de uma carteira diversificada. A gente dá esses exemplos na campanha”, explica Valérie Cadier Adem, CMO da Hashdex.
A campanha usa humor para representar, de forma exagerada, o arrependimento de investidores que erram o timing do mercado. Cenas em que o protagonista é surpreendido por situações absurdas, como um cofre caindo do céu, ilustram o desconforto de quem tenta adivinhar a hora de entrar ou sair de um ativo. A peça de 30 segundos será seguida por outras duas de 15 segundos, e a campanha também vai ocupar os canais digitais do grupo Globo, como Globo.com, G1 e Globoplay, além da TV paga.
Para Valérie, o objetivo também é alertar para um comportamento recorrente entre investidores brasileiros, de buscar acompanhar a valorização de criptoativos sem diversificar, concentrando apostas na “cripto da vez” em vez de pensar em alocação de longo prazo.
“Desde 2018, a gente bate na mesma tecla: não é para colocar todo o seu dinheiro em cripto, é para colocar uma parcela pequena e rebalancear ao longo do tempo. Quando sobe muito, você vende um pouco; quando cai, você compra um pouco. Hoje a gente defende de 3% a 5% da sua carteira total de investimentos. Isso pode ser muito saudável. É um call de diversificação, não um call de colocar tudo em cripto”, reforça a CMO da Hashdex.
A gestora administra hoje cerca de R$ 4,5 bilhões em ativos para mais de 325 mil cotistas — número que, segundo Valérie, ainda representa uma fatia pequena diante do total de investidores do país. Para se ter uma ideia, a B3 tem hoje cerca de 5,5 milhões de investidores pessoa física em renda variável e cerca de 100 milhões na renda fixa.
“Ainda é uma penetração muito baixa. Então queremos colocar o nome da Hashdex para uma audiência maior. Os investimentos em cripto têm aumentado ano a ano, pelos dados da Receita Federal, e a gente quer se apresentar como uma alternativa”, aponta Valérie.
Ela observa que o perfil típico do cotista da casa foge do estereótipo do investidor cripto jovem: a faixa etária predominante está acima dos 40 anos, e uma proxy pelo volume investido também aponta para uma classe social mais alta — ainda que a gestora não tenha dados oficiais de segmentação socioeconômica, já que essas informações ficam sob custódia da B3.
Para a CMO, além das particularidades do próprio mercado cripto, também existe um desafio de explicar o que é um ETF. Assim como as ações, o ETF (Exchange Traded Fund) é negociado em bolsa, e normalmente replica um índice de referência.
No caso do HASH11, ele replica o Nasdaq CME Crypto Index, um índice desenvolvido pela própria Hashdex em parceria com a Nasdaq, que funciona como um termômetro do mercado cripto como um todo, e não de um único ativo. Além do Bitcoin, ele acompanha as variações de outras criptomoedas, como Ethereum, XRP, Solana, entre outras. O Bitcoin, no entanto, tem um peso maior, com cerca de 78% do fundo.
“São várias camadas de conhecimento que a gente tem que vencer na população brasileira. Primeiro, desmistificar cripto: falar que você pode entrar nessa classe de ativos e educar as pessoas sobre como fazer isso. Segundo, fazer as pessoas entenderem o que é o ETF, no caso do HASH11, ou o fundo. E hoje a gente está num cenário de renda fixa alta no Brasil, então qualquer classe de ativo com um pouco mais de risco vai concorrer com isso. Mas a gente entende que essa é uma boa hora para a pessoa avaliar se quer entrar em cripto — quando você olha para o longo prazo e para os preços atuais, acho que as pessoas podem tirar suas próprias conclusões”, afirma Valérie.
A campanha foi criada pela agência Suno e produzida pelo estúdio Echo, que utiliza recursos de inteligência artificial na produção audiovisual.
O post Hashdex vai à TV aberta para ampliar base de investidores em cripto apareceu primeiro em Startups.