Depois de validar e expandir sua tecnologia de check-ups de saúde por scans corporais em alguns países da Europa, a Neko Health está pronta para desembarcar nos Estados Unidos. E, para bancar esse plano, a healthtech cofundada pelo criador do Spotify, Daniel Ek, acaba de levantar US$ 700 milhões em uma Série C.
A rodada foi liderada pela Lightspeed Venture Partners, com coliderança da O.G. Venture Partners. Também acompanharam a operação nomes que já vinham de antes, como Atomico, General Catalyst e Lakestar, mais estreantes de peso: a Liberty City Ventures, a Positive Sum e o banco de investimento BDT & MSD, do bilionário Michael Dell.
Segundo destacou o CEO e cofundador Hjalmar Nilsonne ao site inglês Sifted, o aporte servirá para investir em pesquisa e tecnologia para “tornar a prevenção possível em escala”. Essa escala, segundo destaca o executivo, envolve começar uma expansão no mercado norte-americano, e já prevê a abertura de uma clínica em terras ianques ainda este ano.
Atualmente, a Neko Health opera oito clínicas na Suécia e no Reino Unido, onde vende o serviço com o slogan “a health check for your future self” (“um check-up para o seu eu do futuro”). Os exames são vendidos a £ 299 (US$ 400) no Reino Unido e 2.750 coroas suecas (US$ 286) na Suécia – valor que, segundo os fundadores da Neko, torna o serviço acessível para além do público de alta renda.
O exame combina um scan corporal completo, feito com hardware e software próprios, mais um teste de sangue: gera, segundo a empresa, “milhões de pontos de dados” sobre pintas, pressão arterial, açúcar, colesterol e outros marcadores ligados a câncer de pele, síndrome metabólica, AVC e infarto, tudo somado a uma consulta médica presencial.
O que dá lastro à aposta dos investidores é que o modelo já mostrou ter tração e margem. “Agora temos 100 mil membros e somos lucrativos no nível da clínica”, afirmou Hjalmar Nilsonne ao Sifted.
A última rodada da healthtech sueca não foi há muito tempo: ela fez uma Série B de US$ 260 milhões em janeiro de 2025, a um valuation de US$ 1,8 bilhão, e uma Série A de US$ 65 milhões em 2023. Em pouco mais de dois anos, portanto, a Neko já reuniu perto de US$ 1 bilhão para bancar sua tese de exames preventivos de alta tecnologia.
Apesar de valorizada, a Neko não está sozinha nesse mercado. O nicho da chamada “saúde preventiva de alta tecnologia” virou uma corrida de US$ 3 bilhões, com concorrentes de peso já bem estabelecidos. A Prenuvo aposta em MRI de corpo inteiro a US$ 2.499 e é considerada a única lucrativa do grupo, com US$ 100 milhões de receita em 2024 e endosso de nomes como Kim Kardashian e Cindy Crawford.
A Function Health, avaliada em cerca de US$ 2,5 bilhões e bancada por Matt Damon e Magic Johnson, começou focada em exames de sangue por assinatura (US$ 499/ano) e recém comprou a Ezra, healthtech que reúne exames de imagem e laboratório numa única plataforma.
Ainda assim, a Neko se diferencia por um detalhe importante: é a única que aposta em hardware e tecnologia próprios, com mais de 70 sensores num scan de 15 minutos sem radiação. A empresa opera as próprias clínicas e cobra menos que suas rivais.
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