As ações da Helbor (HBOR3) lideram as perdas na B3 nesta segunda-feira (6), depois que a HBR Realty (HBRE3) fez uma proposta para comprar a incorporadora e fechar o seu capital.
Por volta das 12h20 (horário de Brasília), os papéis, que não fazem parte do índice Ibovespa, recuavam 19,07%, cotados a R$ 1,91. Já as ações da HBR caíam 17,76% no mesmo horário, negociadas a R$ 2,11.
A oferta pública de aquisição de ações (OPA) foi anunciada pela HBR na noite da última sexta-feira (3), depois do fechamento do mercado. Pela proposta, cada papel da Helbor será trocado por 0,81553398 ação ordinária da HBR, numa relação definida a partir da média ponderada das cotações das duas companhias nos últimos 90 dias.
As duas companhias têm o mesmo controlador, a família Borenstein, que tem cerca de 51% do capital de cada uma.
Se a operação for bem-sucedida, a Helbor arrumará as malas e deixará o Novo Mercado, o segmento de mais alta governança corporativa da bolsa brasileira. A incorporadora, na prática, deixará de ter suas ações negociadas na B3 e passará a ser uma subsidiária integral da HBR, que permanecerá listada.
A Helbor é uma incorporadora pura, que atua há 47 anos no mercado imobiliário brasileiro.
Ela teve receita operacional de R$ 347 milhões no primeiro trimestre do ano, alta de 16%, e lucro líquido de R$ 24,2 milhões, queda de 32% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O foco da companhia é o segmento residencial, mas também atua com imóveis comerciais e mistos.
No primeiro trimestre do ano, a companhia atingiu R$ 59,6 milhões em receita bruta, alta de 38,7%, e prejuízo de R$ 25,7 milhões, queda de 8,8% em relação ao mesmo período do ano.
A companhia tem diversos ramos de atuação. A HBR Malls atua na aquisição e desenvolvimento de shopping centers, com quatro ativos: Mogi Shopping, Suzano Shopping, Patteo Urupema Shopping e Patteo Olinda Shopping. Com sua marca ComVem, atua também no desenvolvimento de Strip Malls desde 2013.
Já com a HBR Opportunities, realiza investimentos em hotéis, estacionamentos, imóveis built to suit e em "sales and leaseback", em que adquire um imóvel e manter o proprietário como locatário.
Qual a estratégia, segundo o CEO da HBR
O CEO da HBR, Alexandre Nakano, afirmou que a operação representa um passo estratégico para reunir duas empresas que, embora atuem em segmentos diferentes, compartilham o mesmo negócio de desenvolvimento imobiliário. Ele falou sobre a operação em apresentação a investidores, analistas e jornalistas realizada nesta segunda-feira (6).
Segundo Nakano, um dos principais argumentos apresentados pela HBR para justificar a oferta pública de aquisição de ações é o banco de terrenos da Helbor.
Isso porque, de acordo com o CEO, a incorporadora possui aproximadamente R$ 12 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV) potencial, dos quais cerca de 83% estão localizados na cidade de São Paulo e praticamente a totalidade é destinada a empreendimentos de médio e alto padrão.
“Hoje, uma das maiores dificuldades que a HBR tem é encontrar sua matéria-prima principal, que são os terrenos”, afirmou. Para o executivo, a incorporação desse portfólio ampliaria significativamente as possibilidades de crescimento da companhia.
Nakano pontuou também que Helbor e HBR compartilham o mesmo DNA. Segundo ele, enquanto a primeira é focada na incorporação residencial voltada à pessoa física, a segunda concentra seus projetos em ativos comerciais, como empreendimentos corporativos, varejo, hotéis e self-storage.
“A Helbor faz o desenvolvimento imobiliário num ciclo menor, de três ou quatro anos. Ou seja, ela faz a aquisição do terreno, constrói, vende e passa para o próximo”, disse Nakano. “Já a HBR tem um ciclo maior, às vezes de 10 anos. Mas ela, igualmente, faz a compra do terreno, constrói, aluga, matura esse aluguel e eventualmente, lá na frente, faz o que o mercado chama de reciclagem, que é a venda do ativo.”
Na avaliação do executivo, essa complementaridade permitirá ampliar o ecossistema imobiliário do grupo e atender desde compradores de imóveis residenciais até grandes empresas.
“O que acontece hoje é que as duas companhias, separadamente, estão subavaliadas. Com esse processo [de fusão], a gente acredita que as duas juntas vão criar mais elementos para destravar valor.”
Fluxo de caixa e redução de custo
Outro ponto destacado pela administração é a complementaridade entre os modelos de geração de caixa das empresas. A avaliação do CEO é de que a combinação tende a tornar a geração de caixa mais consistente ao longo do tempo.
De acordo com Nakano, enquanto a HBR possui receitas mais recorrentes provenientes de ativos destinados à locação, a Helbor depende mais do ciclo típico da incorporação imobiliária, com entradas de caixa ligadas aos lançamentos e às vendas dos empreendimentos.
Já o CFO da HBR, Alexandre Dalpiero, afirmou que a operação também deve gerar ganhos de eficiência: a manutenção de apenas uma companhia aberta permitirá eliminar estruturas duplicadas, reduzindo custos relacionados à governança corporativa e conselhos de administração e fiscal.
A expectativa é obter uma economia anual entre R$ 10 milhões e R$ 20 milhões com a união do grupo.
Em 2025, as despesas gerais e administrativas das duas companhias somaram R$ 154,7 milhões. O potencial de economia criado diretamente pela junção, portanto, chegaria a 13% desse montante.
Maior liquidez das ações
Outro suposto benefício apontado pelo executivo é o aumento da liquidez dos papéis negociados na B3. Segundo o CFO, o volume médio diário negociado (ADTV) da HBR, empresa remanescente da fusão, passaria de cerca de R$ 1 milhão para aproximadamente R$ 3,5 milhões após a combinação com a Helbor.
Na avaliação do executivo, esse aumento pode tornar as ações mais atrativas para investidores e aproximar a empresa do perfil de negociação observado em concorrentes.
A expectativa da gestão da HBR é que o processo de compra das ações da Helbor leve em torno de 90 dias. Dois terços dos minoritários da Helbor precisam aprovar o movimento.
Com Money Times The post Helbor (HBOR3) despenca após proposta para sair da B3; veja o que o CEO da HBR (HBRE3) diz sobre planos para incorporadora irmã appeared first on Seu Dinheiro.