A lista de empresas que deram adeus à B3 nos últimos tempos pode ganhar mais um nome em breve. A HBR Realty protocolou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) um pedido para realizar uma oferta pública de aquisição (OPA) com o objetivo de assumir o controle e fechar o capital da Helbor.
Se a operação for bem-sucedida, a Helbor arrumará as malas e deixará o Novo Mercado, o segmento de mais alta governança corporativa da bolsa brasileira.
O formato escolhido pela HBR é o de uma OPA de permuta unificada. Na prática, a oferta mira a compra de até 100% das ações ordinárias da Helbor (excluindo os papéis mantidos em tesouraria), mas o pagamento não será feito em dinheiro vivo diretamente na conta do acionista.
Como vai funcionar a troca
A HBR estabeleceu o preço de R$ 2,52 por cada ação da Helbor. No entanto, a liquidação dessa compra será feita por meio da entrega de 0,81553398 ação ordinária da HBR para cada papel da incorporadora.
Para proteger o valor da proposta até o desfecho da operação, o preço unitário será corrigido pela taxa Selic (pro rata temporis) desde 2 de julho — data-base dos laudos de avaliação feitos pela Apsis Consultoria — até o dia da liquidação.
A relação de troca das ações, por sua vez, permanecerá a mesma, a menos que haja liquidação financeira da oferta.
Além disso, as empresas destacam que tanto o preço quanto a relação de permuta poderão sofrer ajustes em caso de pagamento de dividendos, desdobramentos, grupamentos, bonificações ou redução de capital de qualquer uma das duas companhias.
A conclusão da oferta depende da adesão de acionistas que representem pelo menos 50,1% do capital votante da Helbor e da aprovação por mais de dois terços dos acionistas minoritários habilitados.
Por que a HBR quer tirar a Helbor da bolsa?
Segundo a HBR, a operação criará uma plataforma de negócios mais diversificada e resiliente. Em entrevista ao Brazil Journal, o CEO da HBR, Alexandre Nakano, espera que isso destrave valor na Bolsa e também entregue mais valor para os clientes.
“Não é que a gente meça nosso sucesso só pela régua do mercado, mas quando você faz uma venda de meio bi achando que vai destravar valor e não destrava, você começa a pensar se não precisa fazer um movimento maior,” disse ele.
A proposta chega em um momento delicado para a Helbor. Negociada a R$ 2,36, a ação acumula queda de 6,35% no ano. Em uma perspectiva mais ampla, porém, a desvalorização é brutal: o papel já chegou a valer R$ 50,79 em 2013, queda de cerca de 95% desde então.
Listada na B3 desde 2007, a companhia também não entrega cifras de encher os olhos. Pelo contrário: no primeiro trimestre de 2026, a Helbor teve lucro líquido atribuível aos controladores de R$ 1,9 milhão, queda de 74,5% em relação ao mesmo período de 2025.
No consolidado, o lucro somou R$ 24,2 milhões, recuo de 31,9% na mesma base de comparação.
O Itaú BBA classificou o balanço como “fraco”. Segundo o banco, embora a receita líquida tenha superado em 45% as estimativas, o aumento das despesas gerais e administrativas pressionou os resultados.
“No geral, o lucro líquido totalizou quase R$ 2 milhões, contra a nossa estimativa de R$ 8 milhões, resultando em um ROE anualizado de 1%”, escreveu o banco, destacando ainda que o fluxo de caixa livre ficou abaixo do esperado e que a alavancagem aumentou.
“A Helbor reportou uma queima de caixa de R$ 55 milhões no 1T26, pior do que a nossa projeção de R$ 8 milhões e contra a geração de caixa de R$ 7 milhões observada no 1T25”, acrescentou.
Já as ações da HBR acumulam queda superior a 80% desde o IPO, realizado em 2021.
*Com informações do Money Times
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