A inteligência artificial já não é apenas uma promessa tecnológica na política: ela virou parte da rotina de campanhas que querem ganhar velocidade, alcance e impacto. O problema é que a mesma ferramenta que pode reduzir custos e ampliar a produção de conteúdo também abre espaço para uma enxurrada de peças enganosas, com potencial para confundir eleitores em grande escala.
O caso de Jonathan Rinaldi, candidato a uma vaga no conselho municipal de Queens, em Nova York, ajuda a dimensionar esse novo cenário. Em plena campanha, ele usou um chatbot no celular para criar supostas notícias e endossos que nunca existiram. O material foi compartilhado como se fosse real, mostrando como a IA já pode ser usada não só para promover mensagens, mas para fabricar credibilidade artificial.
Esse tipo de prática preocupa especialistas porque muda a lógica da disputa eleitoral. Antes, campanhas com mais dinheiro conseguiam dominar melhor a publicidade e a distribuição de mensagens. Agora, com ferramentas automatizadas e baratas, até equipes pequenas podem produzir grande volume de peças persuasivas. Ao mesmo tempo, adversários mal-intencionados ganham meios mais simples para inventar entrevistas, declarações e imagens que parecem autênticas.
O desafio, daqui em diante, será separar eficiência comunicacional de manipulação deliberada. A tecnologia pode até nivelar o jogo entre campanhas, mas também tende a nivelar o campo para a desinformação. Em vez de resolver a assimetria da propaganda política, a IA pode apenas trocar o velho problema da influência concentrada por um novo: o da mentira industrializada, mais rápida, barata e difícil de desmentir.