iFood solicita investigação sobre 99Food e Keeta por possível concorrência desleal no delivery
Recentemente, a empresa iFood acionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para solicitar que sejam acompanhadas de forma mais rigorosa as operações das plataformas 99Food e Keeta no Brasil. A iniciativa foi motivada por preocupações sobre a capacidade financeira das duas companhias de sustentar preços reduzidos e eventuais prejuízos na disputa por mercado.
De acordo com o pedido, essas empresas poderiam estar utilizando estratégias agressivas de desconto e absorção de perdas para ampliar rapidamente sua base de clientes no setor de entregas. O iFood sustenta que essa prática pode desequilibrar a concorrência.
O caso foi formalizado nesta segunda-feira (29) e agora será analisado pelo órgão antitruste brasileiro, que pode solicitar informações adicionais sobre custos e políticas comerciais das plataformas citadas.
Investigação sobre práticas no mercado de delivery
99Food vem contratando ex-funcionários do iFood (Imagem: Leonidas Santana/Shutterstock)
O pedido apresentado pelo iFood ao Cade tem como foco a atuação da 99Food, controlada pela DiDi, e da Keeta, vinculada à Meituan. A empresa brasileira argumenta que ambas contam com forte suporte financeiro, o que permitiria sustentar operações com margens negativas por longos períodos.
Segundo o documento encaminhado ao órgão regulador, essa estrutura financeira estaria relacionada a políticas de incentivo à internacionalização de empresas de tecnologia na China, incluindo iniciativas governamentais de expansão global. O texto menciona programas como a Nova Rota da Seda como parte desse contexto de apoio à internacionalização.
Keeta é um aplicativo de delivery de alimentos – Imagem: jackpress / Shutterstock
A petição também cita análises e relatórios de mercado que apontariam prejuízos relevantes das companhias chinesas em suas operações recentes. Entre os exemplos apresentados, há referência a perdas bilionárias atribuídas a investimentos internacionais e estratégias de expansão agressiva.
O iFood afirma ainda que esse modelo de atuação já teria provocado a saída de empresas locais em outros países após a entrada das plataformas mencionadas, citando casos em mercados como Hong Kong, Catar e Kuwait como referência de comparação.
Com base nesses elementos, a empresa solicita que o Cade avalie possíveis indícios de práticas anticoncorrenciais no Brasil, incluindo análise detalhada de preços, custos e subsídios utilizados pelas plataformas concorrentes.
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