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Institutos de pesquisa rebatam TSE: selo de Nunes Marques mistura política com ciência

Redação Recifes
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Institutos de pesquisa rebatam TSE: selo de Nunes Marques mistura política com ciência

A proposta do ministro Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, de criar um selo de qualidade para institutos de pesquisa eleitoral gerou reação imediata do setor. A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) divulgou nota nesta terça-feira (14) rejeitando a iniciativa e afirmando que ela parte de uma premissa fundamentalmente equivocada sobre o que é — e o que não é — uma pesquisa de opinião pública.

Para a entidade, o critério proposto pelo TSE — premiar quem mais se aproximar do resultado final das urnas — confunde duas coisas radicalmente distintas: a medição científica do estado da opinião em determinado momento e a predição do futuro. Pesquisa eleitoral não é previsão; é fotografia. Uma enquete conduzida com rigor metodológico pode mostrar empate técnico 15 dias antes da eleição e ainda assim ser tecnicamente impecável, mesmo que o resultado no domingo aponte vencedor com folga.

O problema central da lógica do ministro é que ela incentivaria institutos a ajustarem suas metodologias não para capturar a realidade com mais fidelidade, mas para chegar mais perto do placar final — o que, paradoxalmente, poderia corromper ainda mais a qualidade das pesquisas. Viés de confirmação e ajustes oportunistas passariam a ser estratégia de sobrevivência no mercado, não desvios a serem combatidos.

Vale lembrar que a discussão sobre a credibilidade das pesquisas eleitorais no Brasil ganhou força após as eleições de 2022, quando alguns institutos erraram de forma mais expressiva nas projeções do segundo turno. Mas a resposta adequada a esse problema passa por transparência metodológica, auditoria técnica independente e educação do público sobre o que esses números significam — não por transformar o TSE em árbitro de qual instituto 'acertou mais'.

A proposta de Nunes Marques, ainda que bem-intencionada, mistura regulação eleitoral com julgamento científico e coloca o Poder Judiciário num papel para o qual não tem nem competência técnica nem legitimidade democrática. O debate sobre qualidade das pesquisas é legítimo e necessário. A solução, porém, precisa nascer do próprio setor, com critérios técnicos sólidos — não de um carimbo institucional que premia quem mais se parece com um oráculo.

Artigo originalmente publicado em g1.globo.com
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