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IPCA-15 desacelera em julho e muda o rumo dos juros — e dos investimentos também

Redação Recifes
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IPCA-15 desacelera em julho e muda o rumo dos juros — e dos investimentos também
Foto: Daniel Dan / Pexels

Os agentes financeiros esperavam uma inflação mais fraca em julho, mas a desaceleração que a prévia do índice oficial de preços registrou foi ainda maior que o esperado. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) foi de 0,06% em julho, frente a uma expectativa de 0,21% conforme a mediana do Broadcast.

É o segundo mês consecutivo em que o IPCA-15 surpreende para baixo: em junho, o índice já havia subido menos que o esperado. Com esse dado, a inflação em 12 meses caiu de 4,80% para 4,52% e ficou mais próximo do teto de tolerância da meta, que é de 4,5%.

Segundo os economistas, a maior surpresa veio do desempenho do grupo alimentação no domicílio, que apresentou queda de 1,14% no mês. Além disso, o núcleo de serviços, um dos mais pressionados, também apresentou desaceleração em alguns componentes.

Para Alberto Ramos, diretor de pesquisa macroeconômica para a América Latina do Goldman Sachs, a composição geral do índice foi "relativamente favorável" em julho. O economista acredita que as portas estão "reabrindo" para um afrouxamento maior dos juros.

Após a divulgação, a equipe do ASA reviu sua projeção para o IPCA de julho, de 0,12% para 0,02%. Neste momento, a mediana do Broadcast para julho é de 0,20%, mas com chances de revisão para baixo nos próximos dias.

IPCA-15 menor, juros menores

A curva de juros, que precifica a taxa para títulos de renda fixa em diferentes vencimentos, respondeu à surpresa do IPCA-15.

As taxas diminuíram ao longo de diferentes prazos, diante da expectativa de uma taxa Selic menor no futuro, caso a tendência de inflação mais fraca se consolide.

Em paralelo, as taxas do Tesouro Direto também caíram.

O Tesouro Prefixado 2029, mais sensível aos movimentos da curva de juros, recuou de uma taxa de 14,34% na véspera para 14,19% hoje, após a leitura de inflação. O prefixado de vencimento médio (2032) também mexeu, diminuindo a oferta de taxa de 14,69% para 14,57%.

As taxas de juros reais (acima da inflação) dos papéis Tesouro IPCA+ seguiram na mesma direção. O Tesouro IPCA+ 2032 diminuiu sua oferta de 8,23% de juro real para 8,18% ao ano.

Lais Costa, analista de renda fixa da Empiricus Research, acredita em dois cortes na taxa Selic ainda este ano, diminuindo de 14,25% para 13,75% ao final de 2026.

Este, entretanto, não é o consenso do mercado. A precificação na curva de juros é de um corte de 0,25 ponto percentual na próxima semana, com alguma probabilidade de alta a partir de dezembro.

Um ponto em que Costa discorda. Para ela, embora as expectativas de inflação futura estejam desancoradas e fora da meta de 3%, o viés de preços atual é baixista — com os dados do IPCA-15 reforçando essa análise hoje.

A volta do prefixado

Se a inflação realmente estiver entrando em uma trajetória mais comportada, a consequência natural é a queda dos juros.

Em ciclos de aceleração inflacionária, a recomendação dos analistas é buscar proteção em títulos indexados ao IPCA, que corrigem o poder de compra e pagam um prêmio adicional.

Mas quando a expectativa passa a ser de inflação em desaceleração e juros futuros menores, a lógica muda.

Nesse ambiente, travar taxas elevadas por anos à frente pode se tornar uma estratégia mais atraente. E é exatamente essa a aposta da Empiricus. Costa destaca os títulos prefixados, de vencimentos curtos de até três anos, como a oportunidade do momento.

Em seu "cardápio da semana", a analista indica a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) prefixada do Banco ABC, com vencimento em 2029.

O investimento paga taxa de 12,89% ao ano, mas tem os rendimentos isentos de imposto de renda. Para fins comparativos, se a LCA fosse tributada como um CDB, a taxa de juros equivalente seria de 15% ao ano.

O papel também conta com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para aplicações de até R$ 250 mil por CPF, considerando o principal e os juros. Por fim, o rating do banco ABC é de AAA em moeda local, pela Moody’s.

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Artigo originalmente publicado em www.seudinheiro.com
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