🌊 Negócios em Emersão  ·  Vamos Emergir?  ·  Cadastre-se e ganhe 50 REC de bônus

iPhones e IA: saiba como funciona o impedimento semiautomático do Brasileirão

Redação Recifes
1 visualização
iPhones e IA: saiba como funciona o impedimento semiautomático do Brasileirão

O Campeonato Brasileiro passou a contar com o impedimento semiautomático a partir da 20ª rodada. A tecnologia estreou no Brasileirão com a promessa de aumentar a precisão das marcações e reduzir o tempo das revisões do VAR. E, para isso, utiliza iPhones e recursos de inteligência artificial (IA) para tornar os jogos mais justos.

Logo no primeiro fim de semana de operação oficial, o sistema foi acionado cinco vezes, com um tempo médio de análise dos lances de 47 segundos, segundo a CBF. Partidas como Flamengo x São Paulo e Bahia x Corinthians foram duas das que contaram com o novo método de checagem em jogadas decisivas.

A chegada da novidade é resultado de cerca de oito meses de implementação, com inspeções de engenharia e testes de conectividade em 20 estádios do país.

Desenvolvido pela Genius Sports, que já opera o sistema em competições como a Premier League e a Liga Mexicana, o modelo foi integrado ao VAR operado pela Hawk-Eye no Brasil. Essa combinação permite que o árbitro de vídeo receba rapidamente uma reconstrução da jogada para validação.

Câmeras 4K e a escolha do iPhone 17 Pro

Para mapear todos os ângulos dos lances da partida, o sistema utiliza entre 28 e 32 câmeras dedicadas espalhadas estrategicamente pelos estádios. Um dos diferenciais está no equipamento de captação: iPhones 17 Pro registram as imagens em resolução 4K e a 100 quadros por segundo (fps).

A escolha pelos smartphones da Apple acontece principalmente pela padronização do hardware dos dispositivos. De acordo com Cleber dos Santos, especialista em sistemas do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), essa característica facilita a calibração do sistema e a substituição de aparelhos durante um jogo.

"A integração da Apple otimiza o desempenho porque eles controlam totalmente o hardware e o sistema operacional. Se eu tenho um iPhone 17, sei exatamente qual é o processador e a CPU. Caso uma câmera dê problema durante o jogo, eu simplesmente substituo por outro iPhone 17 e sei que aquela calibração continuará perfeita, sem perder nenhum parâmetro de configuração", explica Cleber.

Desafios de clima e logística

Outro detalhe importante é o fato de que manter os dispositivos gravando continuamente por mais de 90 minutos gera bastante calor. Diante disso, os suportes onde os aparelhos estão acoplados garantem uma boa ventilação para evitar o superaquecimento.

O especialista do Inatel explica ainda que as cases são preparadas para suportar condições como vento, sol intenso e chuva. Soma-se a isso a certificação IP68 do iPhone 17 Pro, que garante proteção contra poeira, gotas de água e submersão temporária.

Além desses desafios, a dimensão continental do Brasil também exigiu uma preparação especial do sistema. Guilherme Buso, head da Genius Sports na América Latina, afirma que a implementação exigiu meses de visitas técnicas, testes e calibrações para adaptar o sistema às características de cada estádio.

"O grande desafio é o tamanho do Brasil, pois falamos de distâncias gigantescas de Belém até Porto Alegre. Tivemos que fazer visitas técnicas e inúmeros testes para definir os lugares exatos das câmeras. Para o sistema ter uma eficiência milimétrica, o equipamento não pode ficar dez centímetros para o lado, tudo precisa ser exato e perfeitamente calculado", afirma Buso.

Inteligência artificial e a ausência do chip na bola

O impedimento semiautomático ganhou projeção mundial durante as edições da Copa do Mundo realizadas em 2022 e 2026, mas há diferenças importantes entre o sistema utilizado no torneio e o adotado no Campeonato Brasileiro.

A principal delas é que a tecnologia da Copa contava também com uma bola equipada com um sensor interno responsável por identificar o momento exato do passe. No Brasileirão, esse chip foi substituído pela grande quantidade de imagens captadas pelas câmeras e processadas em tempo real pela plataforma de IA GeniusIQ.

"O futebol tem uma dinâmica muito rápida. Quando você não capta a 100 frames por segundo, a imagem da saída da bola do pé do jogador costuma ficar borrada e você perde a precisão. O nosso sistema elimina esse borrão, o que faz toda a diferença para conseguir determinar a linha de impedimento na casa dos centímetros", destaca Buso.

Com esse volume de informações, a plataforma cria uma réplica em 3D da partida. Em vez de apenas identificar a posição dos jogadores em campo, a IA utiliza um sistema de mesh tracking, capaz de rastrear milhares de pontos do corpo de cada atleta.

Assim, o software consegue identificar com precisão se é um ombro, a cabeça ou a ponta da chuteira que está à frente da linha defensiva.

Como o VAR valida o impedimento semiautomático

Apesar da automatização, a decisão final em relação aos lances de impedimento no Brasileirão continua sendo dos árbitros, e é exatamente daí que vem o nome "semiautomático".

O sistema identifica a possível posição irregular e envia a sugestão para a equipe do VAR, que verifica se a parte do corpo destacada pela IA pode ser usada para marcar um gol, desconsiderando braços e mãos.

Como toda a partida já está sendo reconstruída digitalmente em tempo real, basta a validação dos árbitros de vídeo para que o sistema gere rapidamente a animação tridimensional da jogada. Com isso, a tecnologia reduz o tempo das revisões e praticamente elimina a margem para interpretações nos lances de impedimento.

"O impedimento é uma dinâmica do jogo em que você tem que dizer se foi ou não foi, não existe meio impedimento. Com o nosso sistema, a marcação passa a não ter margem de erro, pois é 100% determinada de forma milimétrica pela distância do ponto de interesse do atacante para o defensor", afirma o executivo da Genius Sports.

A adoção do impedimento semiautomático no Brasileirão representa um dos maiores avanços recentes da arbitragem brasileira. A expectativa agora é que a combinação entre visão computacional, inteligência artificial e validação humana seja expandida para cada vez mais competições nacionais.

Outro recurso tecnológico utilizado no futebol são os “coletes tech”, que armazenam um dispositivo de rastreamento responsável pela coleta de dados dos jogadores.

*Em colaboração com Marcelo Fischer Salvatico

{{WHATSAPP_CHANNEL}}

Artigo originalmente publicado em canaltech.com.br
Compartilhar:

Comentários

Seja o primeiro a comentar!