As ações da SpaceX caíram abaixo do preço inicial do IPO pela primeira vez desde a estreia na bolsa. A queda acontece enquanto a empresa de Elon Musk se prepara para liberar ações que estavam bloqueadas desde a abertura de capital.
O movimento reduz parte da euforia dos primeiros dias de negociação e coloca um novo desafio para a companhia: lidar com a entrada de mais papéis no mercado sem perder o interesse dos investidores.
Ação volta ao valor do IPO após disparada inicial
A estreia da SpaceX foi uma das maiores da história do mercado americano. A oferta pública realizada em 11 de junho levantou US$ 75 bilhões (cerca de R$ 382,5 bilhões), levando a empresa a uma avaliação de aproximadamente US$ 2,1 trilhões (cerca de R$ 10,7 trilhões) logo após o início das negociações.
Nos primeiros dias, o entusiasmo dos investidores fez as ações ultrapassarem US$ 225 (cerca de R$ 1.147,50), impulsionadas principalmente pelas expectativas em torno da Starlink, serviço de internet via satélite, e pelos negócios de lançamento de foguetes.
Mas o cenário mudou rapidamente. Segundo a Reuters, os papéis chegaram a cair para US$ 132,15 (cerca de R$ 674) antes de fechar em US$ 135,27 (cerca de R$ 690), praticamente no mesmo nível definido no IPO. No momento em que esta matéria é escrita, as ações alcançaram o valor de US$ 136,78 (por volta de R$ 697,58).
Mesmo com a queda, a SpaceX continua entre as empresas mais valiosas de Wall Street, com valor de mercado estimado em US$ 1,8 trilhão (cerca de R$ 9,2 trilhões).
Liberação de ações aumenta pressão sobre a SpaceX
O principal ponto de atenção agora é o fim gradual do período de bloqueio conhecido como “lockup”, que impede determinados acionistas de vender seus papéis logo após a abertura de capital.
Entre as próximas liberações previstas estão:
- 911,5 milhões de ações poderão ser vendidas no segundo dia de negociação após o primeiro relatório trimestral da empresa;
- esse lote representa aproximadamente US$ 123 bilhões (cerca de R$ 627,3 bilhões);
- outras 455,8 milhões de ações podem ser liberadas se o preço superar US$ 175,50 (cerca de R$ 895,05) por determinado período;
- até dezembro, as ações disponíveis para negociação podem chegar a 40% da companhia.
Os 60% restantes, incluindo a participação de Elon Musk, continuarão bloqueados até meados de 2027.
Para Jay Hatfield, CEO da Infrastructure Capital Advisors, ainda existe interesse na empresa, mas o período exige cautela. “Nós não aumentaríamos muito a exposição porque eles têm o lockup chegando”, afirmou.
Starlink mantém aposta dos investidores
Apesar da queda recente, parte do mercado continua apostando no potencial da companhia. Dados da LSEG mostram que, entre 32 analistas que acompanham a ação, 27 recomendam compra, quatro mantêm posição neutra e apenas um indica venda.
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A confiança está ligada principalmente ao crescimento da Starlink e aos negócios de lançamentos espaciais, embora a empresa tenha registrado prejuízo líquido de quase US$ 5 bilhões (cerca de R$ 25,5 bilhões) no último ano.
O desempenho das ações mostra que até empresas cercadas por grande expectativa precisam enfrentar ajustes após uma estreia histórica. Agora, investidores acompanham principalmente a liberação de novos papéis, os próximos resultados financeiros e a capacidade da SpaceX de sustentar a valorização conquistada no IPO.
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