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“Irracionalmente barata”: o que levou o Itaú BBA a projetar alta de mais de 100% para C&A (CEAB3); ações saltam mais de 6% na bolsa

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As ações da C&A (CEAB3) se tornaram uma das oportunidades mais descontadas da bolsa brasileira e estão “irracionalmente baratas”, na visão do Itaú BBA. Em relatório divulgado nesta quarta-feira (24), o banco reiterou sua recomendação outperform (equivalente a compra) para os papéis da varejista e manteve o preço-alvo de R$ 20 para o fim de 2026. Considerando a cotação de R$ 9,8 usada no relatório, o potencial de valorização supera 100%. Os analistas do Itaú BBA afirmam que o mercado brasileiro tem deixado de lado as discussões sobre fundamentos e valuation, enquanto os preços vêm sendo influenciados por fatores técnicos e movimentos de curto prazo. Nesse contexto, o desempenho recente da C&A parece injustificável para o banco. Segundo o relatório, a companhia negocia a apenas 5,6 vezes o lucro estimado para 2026 e 5,1 vezes o lucro projetado para 2027, além de oferecer um rendimento de fluxo de caixa livre para o acionista (FCFE yield) de 14%. Embora exista a possibilidade de novas vendas de participação pelo acionista controlador, que ainda possui cerca de 30% da empresa, o Itaú BBA avalia que esse fator não explica o desconto atual dos papéis. O mercado reagiu bem ao relatório, com as ações da C&A saltando no Ibovespa nesta quarta-feira. Por volta de 13h05, CEAB3 tinha alta de 6,32%, cotada a R$ 10,43. No mesmo horário, o principal índice da bolsa brasileira recuava 0,63%, aos 170.108,65 pontos. Segundo trimestre pode levar mercado a rever projeções Segundo o relatório, a tese de investimento continua avançando conforme o esperado, apesar dos tropeços registrados no quarto trimestre de 2025. O banco lembra que o período foi impactado por problemas relacionados à coleção de verão e à execução de fim de ano, o que levantou dúvidas sobre a capacidade de crescimento da companhia e provocou uma forte queda nos múltiplos da ação. No entanto, os resultados do primeiro trimestre de 2026 e as perspectivas para os meses seguintes reforçaram a confiança dos analistas. "A história continua muito alinhada à tese original", diz o relatório. Para o segundo trimestre, o Itaú BBA acredita que as vendas mesmas lojas da operação de vestuário devem permanecer ao menos estáveis em relação ao crescimento de cerca de 4,8% observado no primeiro trimestre, mesmo diante de uma base de comparação considerada desafiadora. "Isso deve provocar revisões significativas para cima nas premissas de receita do segundo semestre de 2026", afirmam os analistas. Distância da C&A para a Renner continua diminuindo Outro ponto destacado pelo banco é a evolução da produtividade das lojas da C&A em comparação com a Lojas Renner (LREN3). Após uma interrupção temporária dessa tendência no fim de 2025, a companhia voltou a reduzir a diferença de desempenho entre as duas redes. Embora a Renner ainda apresente vendas por loja superiores às da concorrente, o Itaú BBA acredita que a convergência deve continuar nos próximos trimestres. "A diferença de produtividade em relação à LREN voltou a diminuir e deve acelerar daqui para frente", diz o relatório. O banco também projeta avanço contínuo das margens brutas da operação de vestuário, impulsionado por fatores cambiais favoráveis. Geração de caixa limita riscos para a ação Para os analistas, um dos pontos menos observados pelo mercado é a forte geração de caixa da companhia. Segundo o relatório, a melhora da execução operacional e a saída do segmento de eletrônicos contribuíram para uma evolução significativa do capital de giro e da conversão de Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) em caixa. "O Ebitda convertido em caixa está acima de 100% desde o primeiro trimestre de 2025", destaca o documento. O Itaú BBA também vê espaço para que a companhia amplie a remuneração aos acionistas por meio de recompras de ações. A instituição estima que cerca de metade do programa anunciado em maio já tenha sido executada e acredita que novos programas podem ser anunciados futuramente. "A melhor decisão de alocação de capital hoje é recomprar ações nesses níveis", afirmam os analistas. Segundo o banco, em um ambiente marcado por volatilidade e incerteza, companhias que devolvem caixa aos acionistas tendem a merecer múltiplos mais elevados. Mudança na jornada de trabalho teria efeito limitado O relatório também avaliou os possíveis impactos de uma eventual mudança na legislação trabalhista, com a substituição da escala 6x1 por 5x2 e redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. Na visão do Itaú BBA, os efeitos financeiros seriam administráveis. "Nossa estimativa é de menos de R$ 30 milhões de impacto anual, equivalente a apenas cerca de 2% do Ebitda de 2026", afirmam os analistas. O banco ressalta que parte desse impacto poderia ser compensada por ajustes operacionais, redistribuição de funcionários entre funções e ganhos relacionados à redução de rotatividade e absenteísmo. The post “Irracionalmente barata”: o que levou o Itaú BBA a projetar alta de mais de 100% para C&A (CEAB3); ações saltam mais de 6% na bolsa appeared first on Seu Dinheiro.
Artigo originalmente publicado em www.seudinheiro.com
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