Depois da morte de Eric, em 2001, a ideia de ter outro gato parecia distante. Ainda assim, poucos meses depois, Karl entrou na história da família trazido por uma amiga que estava voltando para a Alemanha. Era um tabby marrom sem grande pretensão visual, mas com um jeito marcante desde o início.
Antes de virar mascote de rua, Karl já carregava uma biografia incomum: tinha circulado pelo Camberwell College of Arts, no sul de Londres, e foi lá que aprendeu um truque que o tornaria famoso entre amigos e vizinhos. Ele usava o vaso sanitário, subia com cuidado, erguia a cauda e fazia tudo como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Na vida cotidiana, porém, o que o transformou em lenda foi a forma como ocupava o bairro. Karl acompanhava as crianças no caminho da escola, esperava a volta em frente de casa e reconhecia rotinas com precisão quase humana. Também sentava no jardim para receber visitas, como se estivesse supervisionando a rua e, ao mesmo tempo, mantendo um laço silencioso com cada morador.
Quando morreu em 2008, após ser atacado por um cão, o impacto foi muito além da família. Houve despedida com vizinhos presentes, música e uma pequena cerimônia no quintal, seguida de uma placa em sua memória. O mais revelador foi perceber que Karl não era só um animal de estimação: era parte da identidade afetiva daquela rua.
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