Times da RecebeAqui e Kolek | Foto: Divulgação A fintech Kolek foi adquirida pela RecebeAqui, em um momento em que o mercado de fintechs passa por uma fase de consolidação dos players. Juntas, as duas empresas vão formar uma holding, cujo nome ainda não foi definido.
Com a operação, que não teve o valor revelado, os fundadores da Kolek deixam de ser acionistas majoritários, mas seguem no negócio.
Fundada em 2022, a Kolek atua como uma plataforma de gestão de cobranças e recebimentos voltada para escritórios contábeis e pequenas empresas. Já a RecebeAqui é uma fintech especializada em soluções financeiras e de pagamentos com foco no setor de turismo. A empresa integra o Grupo VPA, que possui atuação em diversos países da América Latina e Europa.
Apesar da criação da holding, as marcas e os produtos das duas empresas devem seguir separados. A Kolek continuará concentrada em transações recorrentes, como cobrança via boleto e PIX para contadores, advogados, agências e outros negócios com faturamento recorrente, enquanto a RecebeAqui permanece focada em transações pontuais de maior valor, via cartão e link de pagamento. A administração das duas operações, porém, passa a ser unificada sob a nova estrutura.
O cenário regulatório foi um dos fatores que pesaram na decisão. Segundo Murilo Pinheiro, CEO e co-fundador da Kolek, o aperto nas normas para o Banking as a Service (BaaS) tornou o ambiente operacional mais caro e mais restrito, o que reforçou a percepção de que internalizar essa infraestrutura era um caminho necessário. Além disso, a publicação da Resolução BCB nº 522 pelo Banco Central, que amplia as exigências para participantes do ecossistema de pagamentos, também elevou os custos de compliance para fintechs de menor porte.
“Basicamente, a gente está indo numa tese de verticalizar e consolidar fintechs setoriais, vamos chamar assim. A gente viu uma complementaridade muito grande com o pessoal da RecebeAqui, que é de Belo Horizonte. Eles atuam na parte de cartão de crédito, que a gente não tinha, e têm uma parte de infra mais robusta”, explica Murilo, em entrevista ao Startups.
Segundo o empreendedor, as empresas agora devem deixar de se restringir aos nichos que as originaram — contabilidade, no caso da Kolek, e turismo, no caso da RecebeAqui — para atender outros segmentos com necessidades semelhantes de recorrência ou de transações de alto volume.
Somadas, Kolek e RecebeAqui processam hoje entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões em transações por mês. A meta é multiplicar esse volume de cinco a seis vezes, chegando a uma faixa entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões mensais. Isso equivalente a quase R$ 1 bilhão transacionado por ano, projeção que a empresa espera atingir até o fim de 2027.
“O mercado é gigante, mas ainda é pulverizado. Mesmo os players grandes ainda não pequenos. E a gente acredita muito numa estratégia de nichos, que têm dores muito específicas que não são muito bem atendidas. A gente está conseguindo atender em contabilidade e turismo, e agora queremos expandir para outras verticais”, diz Murilo.
A integração das plataformas e das equipes deve ocorrer de forma gradual ao longo dos próximos meses, com continuidade dos serviços para os clientes de ambas as empresas.
Apoiada pela Antler, a Kolek levantou seu primeiro aporte Pré-Seed com a aceleradora global em 2022. O investimento não teve o valor revelado na época, mas correspondeu a cerca de 10% da fintech. Depois disso, em 2024, a fintech levantou mais uma rodada com investidores-anjo. Entre eles, o Insper Angels.
“Os investidores continuam. A gente não está dando saída para ninguém, eles vão continuar investindo na empresa combinada”, afirma Murilo.
Segundo ele, a aquisição foi, na prática, uma “troca de ações”. “A gente continua como acionista, mas não é majoritário. Nossa visão é continuar com essa tese de consolidação, trazendo outros players para o grupo”, diz o empreendedor.
O post Kolek é adquirida pela RecebeAqui, mas “sem saída” para investidores apareceu primeiro em Startups.