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Labirinto (1986): por que o clássico de Jim Henson nunca perde a magia

Redação Recifes
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Labirinto (1986): por que o clássico de Jim Henson nunca perde a magia

Há filmes que envelhecem. E há filmes que simplesmente existem fora do tempo, como se tivessem sido criados num universo paralelo onde as leis do calendário não se aplicam. Labirinto, a fantasia de 1986 dirigida por Jim Henson e estrelada por David Bowie e Jennifer Connelly, pertence inequivocamente à segunda categoria. Assisti pela primeira vez ainda criança, numa fita VHS surrada, e cada vez que retorno àquele mundo de duendes, cristais e corredores que se reconfiguram, sinto o mesmo frio na espinha misturado a um calor inexplicável no peito.

A história parte de um conflito doméstico universal: Sarah, uma adolescente sonhadora e dramática, deseja — num momento de raiva genuína — que seu irmão caçula Toby seja levado pelos goblins. Quando o desejo se realiza, ela precisa atravessar um labirinto mágico em treze horas para resgatar o bebê das garras do sedutor Rei Jareth. O que parece um enredo simples se transforma numa jornada de amadurecimento disfarçada de aventura infantil. Henson tinha esse dom raro: contar histórias sobre crescer sem jamais subestimar a inteligência do público jovem.

David Bowie como Jareth é, até hoje, um dos grandes vilões-que-não-são-bem-vilões do cinema fantástico. Com sua juba platinada, casaco esvoaçante e aquele olhar assimétrico hipnótico, ele incorporou algo que vai além do antagonista convencional — é a personificação do fascínio perigoso, do mundo adulto que atrai e amedronta ao mesmo tempo. As músicas que compôs para o filme, como Magic Dance e As the World Falls Down, são pedaços de universo próprio, capazes de transportar quem as ouve diretamente de volta à primeira infância.

Tecnicamente, o filme é uma obra-prima artesanal. Num período em que os efeitos digitais ainda engatinhavam, a equipe da Jim Henson Company construiu criaturas e cenários de tirar o fôlego com espuma, látex, mecânica e pura genialidade humana. É exatamente essa tangibilidade que faz Labirinto resistir tão bem ao tempo: tudo ali parece palpável, como se você pudesse de fato tocar as pedras do labirinto ou sentir a pelagem das criaturas fantásticas que Sarah encontra pelo caminho. Nenhum pixel substitui essa sensação.

Revisitar Labirinto em 2026, quando está disponível em algumas plataformas de streaming, é um ato quase terapêutico. Num mundo saturado de franquias calculadas e sequências intermináveis, há algo profundamente restaurador naquele tipo de cinema que apostava tudo na imaginação — tanto de quem fazia quanto de quem assistia. O filme nos lembra que a magia de verdade não vive nos orçamentos milionários, mas na coragem de acreditar que contar uma boa história ainda é suficiente.

Artigo originalmente publicado em www.theguardian.com
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