A estratégia eleitoral do governo Lula para 2026 passa menos por conquistar aliados formais e mais por garantir que os grandes partidos do chamado Centrão fiquem de fora da disputa — ao menos no primeiro turno. Coordenadores da campanha petista saíram de uma rodada de conversas com lideranças de Progressistas, União Brasil e Republicanos com uma avaliação compartilhada: esses partidos não devem embarcar na candidatura de Flávio Bolsonaro pelo PL e, na prática, devem liberar seus filiados nos estados para decidirem conforme o vento local.
Para a equipe do presidente, essa neutralidade já equivale a uma vitória tática. Partidos com forte capilaridade regional e acesso a estruturas municipais que não se colam ao bolsonarismo reduzem o potencial de mobilização do campo adversário — e abrem espaço para que Lula negocie apoios pontuais sem precisar fazer concessões programáticas de grande porte.
O movimento coincide com uma inflexão discursiva do próprio presidente. Nos últimos meses, Lula tem calibrado o tom para atrair o eleitor de centro — aquele que não se identifica com o radicalismo de nenhum dos extremos e que, historicamente, define o resultado no segundo turno. Acenos à moderação, à estabilidade econômica e ao diálogo institucional fazem parte desse reposicionamento deliberado.
O risco da aposta, no entanto, é real. Neutralidade de cúpula não garante neutralidade de base. Deputados e prefeitos filiados ao Centrão têm interesses próprios e podem acabar gravitando em torno de quem oferecer mais — seja em termos de recursos federais, seja em espaço no palanque estadual. A fragmentação interna desses partidos é tão grande que qualquer cálculo feito hoje pode ser desfeito por uma eleição municipal, uma operação policial ou uma virada de popularidade.
De todo modo, o cenário desenhado pelos coordenadores petistas indica que a eleição de 2026 será travada menos no campo das alianças formais e mais na disputa pela narrativa do centro. Quem convencer o eleitor moderado de que representa estabilidade e competência de gestão terá vantagem decisiva — e é exatamente esse o terreno que Lula quer ocupar antes mesmo de a campanha começar oficialmente.