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Mads Mikkelsen encarna delírio violento em comédia sombria dinamarquesa

Mads Mikkelsen encarna delírio violento em comédia sombria dinamarquesa

Em "The Last Viking", o dinamarquês Anders Thomas Jensen aposta em uma comédia sombria de violência cartunesca e humor desajeitado para contar a história de um homem com transtorno dissociativo. A ideia, em teoria, abre espaço para um jogo interessante entre identidade, fantasia e caos, mas o filme prefere empilhar situações absurdas sem encontrar um ritmo realmente afiado.

Mads Mikkelsen sustenta a produção com presença cênica e entrega um personagem que oscila entre a seriedade e o delírio, como se estivesse preso em uma fantasia própria sobre a cultura pop e a fama. Ainda assim, o roteiro não aproveita esse potencial com a força necessária: em vez de transformar a premissa em tensão dramática ou sátira inteligente, insiste em gags que se alongam demais e em explosões de brutalidade que perdem impacto rapidamente.

O longa tem a marca típica de Jensen, cineasta que gosta de misturar humor negro, violência e comportamento grotesco, mas aqui o equilíbrio parece desalinhado. A sensação é de um filme que quer provocar o riso pelo exagero, embora muitas vezes acabe apenas testando a paciência do espectador com piadas sem timing e uma sequência de absurdos que não se convertem em graça nem em desconforto produtivo.

No fim, "The Last Viking" fica mais como uma curiosidade de execução do que como uma comédia realmente memorável. Há talento em cena e uma proposta com personalidade, mas o conjunto se perde na própria trapalhada: uma fábula de brutalidade que promete irreverência, mas entrega, sobretudo, dispersão.

Artigo originalmente publicado em www.theguardian.com
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