Mahnaz Mohammadi aprendeu a transformar sobrevivência em linguagem artística. Diretora e ativista pelos direitos das mulheres, ela reúne em sua trajetória prisões, períodos de isolamento e episódios de violência que atravessam sua obra e sua atuação política.
Em "Roya", seu novo drama ficcional, essa vivência aparece como matéria criativa e também como denúncia. O filme carrega a marca de quem conhece de perto o custo de desafiar o poder e de quem usa o cinema como ferramenta de enfrentamento.
Mohammadi foi presa diversas vezes ao longo dos anos. Em 2011, passou meses em confinamento solitário e relatou ter sido torturada. Três anos depois, recebeu uma condenação de cinco anos de prisão e permaneceu encarcerada por alguns meses, reforçando a dimensão pessoal de sua resistência.
Mesmo longe do Irã, a sensação de ameaça não desapareceu. A cineasta afirma que ainda não se sente plenamente segura na Europa, o que ajuda a explicar o tom urgente de seu trabalho: para ela, filmar também é lutar, registrar e não se calar.